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Santuário Vale da Rainha trabalha em prol da causa animal

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Do resgate dos animais aos cuidados alinhados à conscientização direcionada à sociedade são a base do trabalho realizado pelo Santuário Vale da Rainha, localizado na Zona Rural do município de Camanducaia, em Minas Gerais. O projeto foi fundado em 2011 e atualmente, atende quase 500 animais, entre cavalos, vacas, cachorros, gatos, cabras, aves após serem maltratados. 
 
A iniciativa de criar um lugar acolhedor para os Mestres Animais, assim como os bichinhos resgatados pela instituição são chamados, surgiu depois do casal Patrícia e Vitor decidirem seguir um estilo de vida mais tranquilo e saudável, longe da rotina acelerada da metrópole. Vitor, publicitário por formação, se afastou do mercado de trabalho, após descobrir que estava doente. Outro momento importante para a missão do casal foi quando Patrícia teve uma visão e recebeu uma mensagem que a mandava zelar pelos animais.  “Meu marido teve câncer e ele analisou que esse câncer vinha do estilo de vida que ele levava. Viemos para plantar feijão orgânico, ele sempre trabalhou com grãos, e para facilitar minhas vivências de yoga. Em um momento, eu tive uma visão de uma moça que aparentemente não era tão moça. A sensação que eu tive, depois da visão, é que ela era mais velha que o próprio tempo. E ela, singelamente, falou: ‘Cuide dos meus filhos’. Eu entendo que são os Mestres Animais. A partir disso, iniciamos uma jornada de resgate, especialmente, com os Mestres Cavalos, que eram os mais em voga aqui na região e aos poucos chegam outras espécies. Diante dessas experiências, nós nos tornamos veganos”, contou Patrícia. 
 
 
 
O Santuário Vale da Rainha desenvolve ações voltadas para o resgate e tratamento dos animais, além do foco na conscientização junto à educação. A protetora explica que com o crescimento do trabalho tanto a nível regional como nacional, os pedidos para resgates e os registros de denúncias são feitos pela população ou pela Polícia Militar e Polícia Ambiental. “No resgate, a gente responde denúncia, algumas são anônimas. Na semana passada, a gente resgatou um Mestre Cavalo. Ligaram para nós, pediram para não se identificarem e deram o endereço para nós de uma pessoa que estava há seis meses fora da propriedade e que nesse tempo deixou o Mestre Cavalo no espaço de dois por dois. Se os vizinhos não tivessem colocado um pouco de milho e  água, ele não teria sobrevivido. Ele desenvolveu uma artrose, mal  está conseguindo andar, tem uma cólica renal, o pênis dele não sai e ele não consegue urinar. Têm casos que a gente mesmo recebe a denúncia e outros  a polícia entra em contato com a gente”. 
 
Quando o animal chega na associação, ele é tratado por veterinários da instituição, sendo realizados exames de diagnóstico, de prognóstico para cuidar não só pelo resgatado, mas também pelos que já foram resgatados anteriormente. “Nesta etapa, começa uma vida de renascimento, porque não significa que quando resgata, acabou tudo. Como eles têm valor comercial, não são simplesmente abandonados, a última forma deles serem explorados é a venda da sua carne. Ele perde o valor comercial, quando ele está doente, isso implica no resgate, no prazo de recuperação, a luta para recuperar, uma é absolutamente cara e frequentemente a gente escuta os veterinários que não são ligados ao santuário, porque a gente faz isso, se eles não valem o tratamento. E colocamos que uma vida não é medida no que ela pode fazer, mas em quem ela é. Todas essas nuances são parte dessa recuperação que pode acontecer em semanas, em meses ou em anos”, ressaltou Patrícia. 
 
 
 
De acordo com a fundadora da entidade, o projeto conscientiza tem o intuito de levar as pessoas a refletirem de forma provocativa, como cada um de nós é potencialmente um agressor em algum nível. “Por exemplo, do mesmo jeito que a gente fala do abuso infantil, quando eu sei e não denunciei, de forma indireta, sublime e sutil, por covardia e egoísmo, eu posso me colocar conivente com o agressor. A gente precisa ver como a nossa vida reflete naquele crime, como o que eu faço mesmo sem ter intenção nenhuma, reflete para que outros seres sofram. Então, todo movimento de conscientização, ele reflete em reflexões muito profundas. E esse processo de conscientização acontece numa grande escala, por rede social, porque são colocadas desde o momento do resgate e no cotidiano independente do resgate ou não e em programas específicos aqui no santuário”, finalizou. 
  
No trajeto do processo de conscientização tem a segunda fase, a educação. Patrícia comenta como essa etapa foi integrada no processo. “Esta etapa nasce de uma frustração, da gente falar que precisamos de novos humanos e de ampliar a forma da nossa mensagem. O alcance da nossa mensagem, para o bem de todos os seres, inclusive dos seres humanos. Estamos fechando esse programa agora com as escolas. Então, nasce o projeto de educação, que faz parcerias com escolas e possibilita que crianças venham até aqui no santuário e tenham dias e noites”. 
 
A instituição conta com a forma e empenho de 100 voluntários e
de empregados contratados para que as atividades aconteçam. “Nós temos hoje uma equipe muito grande de voluntários, eu acredito que boa parte da força desse serviço venha da união. Essas pessoas, elas fazem tradução, divulgação, auxiliam no jurídico e na contabilidade. Também pagamos um contador, dois veterinários, uma estagiária e temos quatro funcionários. O voluntário, tem a questão do tempo, ele pode vir e, às vezes, não pode vir”, afirmou Patrícia.
 
A fundadora destaca que com o resgate atual em Cunha, São Paulo, a despesa fixa é de R$ 150 mil. Ela salienta que é uma luta para conseguir levantar os fundos mensalmente, para conseguir pagar aos funcionários e quitar os gastos com agropecuária e medicamentos para os Mestres Animais. “Nesse momento, no santuário nós temos 150 deles, vasta maioria Mestres Cavalos e Mestres Vacas. Em Cunha, agora nós temos 320, como eles estão muito doentes, ainda não conseguem viajar. Nesse  resgate de Cunha, vamos precisar de um pouco mais de tempo para reunir todos eles aqui em Camanducaia. Então, ao todo a gente tem até o final do ano teremos em torno de 500 Mestres Animais, vasta maioria bovinos, de resgates, oriundos de maus-tratos”. 
 
  
 
Como contribuir

Os interessados em ajudar o santuário, podem se inscrever em atividades no formato virtual realizadas pela entidade, como curso de yoga e o Ashram: a Comunidade do Santuário Vale da Rainha, onde a pessoa aprende questões de resgate e conscientização com os Mestres Animais. As doações financeiras são feitas, pelo Pix, através da chave: CNPJ: 41148294000180, ou pela conta Banco Santander (33), Agência 0287, Conta corrente 13-003494-1, CNPJ: 41.148.294/0001-80 - Santuário Vale da Rainha Resgate a Conscientização.