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Ceasa Pernambuco faz 58 anos com números expressivos
A rotina de quem trabalha no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco - Ceasa/PE começa bem cedo há 58 anos, desde a sua criação em 1962, no Curado, na Zona Oeste do Recife. São milhares de caminhões e carros carregando e descarregando frutas, verduras, hortaliças e todos os produtos necessários para a alimentação dos pernambucanos.
Um dos comerciantes veteranos, Livan Lins, 64 anos, que comanda o Cebolas Canárias, acorda todo dia de madrugada para pegar no batente e não tem planos, por enquanto, de mudar a rotina. "São 45 anos sem férias ou folga. Quem abre e fecha minha loja sou eu", conta. Seu braço direito é a esposa Ivaneide, com quem divide os afazeres e responsabilidades. "Tudo que tenho, conquistei trabalhando aqui com meu esforço. Só tenho a agradecer, o Ceasa me ensinou a viver”, comemora o comerciante que criou os dois filhos - Livan Jr de 28 anos e Ivan, 24 anos, formados em engenharia química e engenharia mecânica - vendendo cebola, batata, alho e temperos secos.
Aos 19 anos, o comerciante saiu de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, para trabalhar na capital. Começou como funcionário da loja de seu Aluísio e depois de nove anos abriu o próprio negócio na maior central nordestina de comércio atacadista de produtos agrícolas. "Trabalhamos diretamente com o público. É preciso tratar bem qualquer cliente, saber comprar e vender. Receber bem o barraqueiro e carroceiro e pequenos comerciantes. O segredo do sucesso é a simplicidade e paciência", ensina. Para estar disposto, ele conta que dorme sempre às 18h e acorda 1h30 todos os dias. "Até aos domingos, que não preciso vir pra cá, não durmo. Acordo e fico prá lá e pra cá. Acho que se parar de trabalhar vou envergar", brinca. “Essa fórmula vem dando certo nesse tempo. Por isso digo: em time que está ganhando não se mexe", aponta.
O comerciante José Figueira, que atua no Ceasa-PE há 40 anos, se inspirou no pai, que era ceboleiro, e hoje conta com a ajuda da filha Camila para administrar o comércio de cebolas e batatas Ki-Batatas. "Como filho, fui acompanhando a função dele aqui dentro e aprendi tudo na prática. Antigamente não tinha outros Ceasas e o de Pernambuco era o principal do Nordeste", relembra. "Ela (Camila) trabalhava no banco e foi demitida. Como já tinha habilidade de trabalhar com dinheiro, veio para a loja. A gente começa orientando e ensinando, mas agora é ela quem dá as coordenadas", conta.
A instituição de proporções gigantescas, recebe por dia uma média de 65 mil pessoas e cerca de 14 mil carros, e é lá onde ocorrem a negociação, compra e venda de uma infinidade de produtos nos mais de 50 galpões. Anualmente, há três épocas que registram movimentação acima da média: a feira do Bredo, que ocorre na Semana Santa (abril), onde o equipamento bate recordes de caminhões, o mês de junho, quando são comercializados toneladas de milho, e dezembro, que ocorre aumento natural do consumo por conta das festas de confraternização e de fim do ano, ultrapassando os índices diários. "Concentramos a produção agrícola em um só local, garantindo que não haja preços abusivos e fazendo valer a lei da oferta e da procura com livre negociação", explica o coordenador operacional, Gildo Tomaz, profissional que atua no equipamento há 48 anos.
Neste ano de 2020, o Centro de Abastecimento comprovou ainda mais sua importância e função primordial para todos os pernambucanos. Durante os meses da pandemia, chegou a registrar um aumento de 30% no fluxo, com cerca de 90 mil pessoas e 21 mil veículos em um único dia. "Meu orgulho de falar do Ceasa é que passamos por problemas como todos os Ceasas do Brasil, e nenhum saiu maior do que entrou. Tivemos a Greve dos caminhoneiros, em 2018, e nos mantivemos. Agora veio a pandemia e, mesmo assim, alcançamos alto volume de comercialização. Nosso trabalho é fazer com que não falte alimento na mesa dos pernambucanos", explica o presidente do Ceasa-PE e presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimentos (Abracen), Gustavo Melo.
Segundo o presidente, 60% dos hortifrutigranjeiros de Pernambuco é oriundo do Ceasa. "É uma responsabilidade grande. Manter essa roda girando é um grande desafio", afirma. "No momento de crise financeira e aumento do desemprego, é comum que o consumidor recorra ao Ceasa. Somos a quarta maior do Brasil, ficamos atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro", completa.
Números
Área total: 580 mil m²
51 Galpões de comercialização
90 mil toneladas/mês comercializadas
65 mil pessoas por dia
17 mil veículos carregados por mês
14 mil veículos por dia
O Centro também vai receber uma série de obras estruturais. O projeto, que será assinado pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara na segunda-feira (19), prevê a maior obra
Dia Mundial da Alimentação
Para marcar o Dia Mundial da Alimentação, o Banco de Alimentos do Sesc Pernambuco promove ação hoje, das 9h às 11h, no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa). Haverá degustação de alimentos e conscientização sobre o desperdício e aproveitamento integral de insumos. Durante a atividade, 15 profissionais da instituição
Para marcar o Dia Mundial da Alimentação, o Banco de Alimentos do Sesc Pernambuco promove ação hoje, das 9h às 11h, no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa). Haverá degustação de alimentos e conscientização sobre o desperdício e aproveitamento integral de insumos. Durante a atividade, 15 profissionais da instituição
vão abordar os comerciantes e possíveis doadores, respeitando os protocolos sanitários, para oferecer biscoito de casca da goiaba e quiche de casca de abóbora. O Banco de Alimentos atende mais de 150 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio de 400 instituições sociais cadastradas. "Queremos sensibilizar as empresas e lojistas sobre nosso trabalho e mostrar como eles podem contribuir para a redução da fome
aqui no estado", comenta a gerente do Banco de Alimentos, Isolda Braga.
O Centro também vai receber uma série de obras estruturais. O projeto, que será assinado pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara na segunda-feira (19), prevê a maior obra
estrutural desde a fundação. Serão três obras voltadas para melhorar a mobilidade e a acomodação de pequenos agricultores.
"O maior problema que enfrentamos hoje é o trânsito. As obras estruturadoras são almejadas pelos próprios comerciantes. Toda e qualquer decisão fazemos questão de ouvi-los, mantendo um bom diálogo com todos. Nossa gestão pensa coletivo para construir
"O maior problema que enfrentamos hoje é o trânsito. As obras estruturadoras são almejadas pelos próprios comerciantes. Toda e qualquer decisão fazemos questão de ouvi-los, mantendo um bom diálogo com todos. Nossa gestão pensa coletivo para construir
as soluções que o Ceasa precisa", comenta o presidente, Gustavo Melo. A previsão é iniciar as obras no início de novembro. O planejamento inclui a requalificação e modernização do galpão Reciflor - local que recebe a feira de flores e orgânicos, a ampliação de 40% do Galpão do Pronaf, que recebe pequenos produtores rurais, e o início da implantação do estacionamento de caminhões para melhorar a circulação e o trânsito no espaço.