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Sítio Histórico de Olinda está vazio, mas situação dos moradores de rua preocupa

Os moradores do Sítio Histórico de Olinda têm cumprido rigorosamente o isolamento social. O cenário que se vê nesta quarta-feira (20) contrasta com a badalação de tempos normais. Com as barracas do Alto da Sé fechadas, centros culturais sem atividade, bares boêmios fora de operação e veículos de turismo sem rodar, o silêncio é quase total na Cidade Alta.
Entretanto, para quem mora por lá, o sentimento é ambíguo, como bem define o funcionário público Carlos Marques, de 58 anos. “Está tudo em paz, mas ao mesmo tempo é um desastre. Não tem mais vida, né? A alma da cidade são as pessoas, e todos estão trancados em casa com medo da pandemia. A solidão adoece também”, conta.
“Aqui a gente segue a risca o isolamento, é difícil encontrar gente na rua. Todos estão conscientes de que precisam ficar em casa. Esse senso de prevenção é muito forte por aqui”, comenta Carlos, que mora com a mãe, de 83 anos, e com a irmã. “Agora é esperar que todo mundo fique em casa, para que essa pandemia passe e o mundo volte ao normal”, pontua.
Quem também aguarda o fim da pandemia é o guia turístico Jocimar Oliveira, 58. Conhecido como Mazinho, o homem viu sua fonte de renda parar de um dia para o outro. “Em casa, moro com seis filhos e minha esposa. Eu estou parado e minha mulher está recebendo o auxílio. Se não fosse a ajuda da minha mãe, a coisa estaria ainda pior”, conta.
Mazinho estava em busca dos raríssimos turistas que ainda aparecem por lá. “Mas não arrumei nada. Isso é muito ruim. Mas pelo menos saí para distrair a cabeça”, acrescenta.
Enquanto em outras regiões de Olinda o problema são as aglomerações e cidadãos que insistem em furar o decreto estadual, no Sítio Histórico a questão é o crescimento expressivo da quantidade de pessoas em situação de rua. “É um perfil muito preocupante. Por isso, foi criado o Centro de Apoio à Higienização de Pessoas em Situação de Rua”, explica o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Cidadania e Direitos Humanos, Odin Neves.
Fruto de uma parceria da prefeitura com a Secretaria Estadual de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas (SPVD), o centro fica na Casa Três Marias, na Avenida Sigismundo Gonçalves, e funciona das 8h às 16h. A capacidade de atendimento é de 80 pessoas por dia. Para participar do serviço, é preciso realizar um cadastro prévio.
“A pessoa quando chega lá tem direito a uma lavagem de mãos. Depois de se cadastrar, é fornecido um kit de higienização pessoal, com sabonete, sabão, toalha descartável, pasta de dente e escova. A pessoa pode tomar um banho nas cabines sanitárias montadas e, ao fim, recebe um kit de alimentação, com uma proteína, duas frutas e pacotes de biscoito doce e salgado”, detalha Odin.