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CantaMulher, no Recife, convida mulheres a participar da vida política do país

No Dia Internacional da Mulher, neste domingo, 8 de março, vários atos de protesto foram organizados por entidades feministas do país todo, a fim de alertar a sociedade sobre os riscos do retrocesso político e da perda de direitos já conquistados. No Recife, o protesto aconteceu em forma de música e poesia, intitulado CantaMulher, que está em sua nona edição. Passaram pelo palco montado na Praça do Arsenal artistas como Flaira Ferro, Nena Queiroga, Irah Caldeira, Bia Marinho, Sônia Sinimbu, Talitha Accioly, Olívia Fancelo, Ylana Queiroga, Graça Nascimento, Andressa Formiga, Sevy Nascimento, Fabiana Pirro, Hilda Torres, além dos grupos As Severinas e Vozes Femininas. O evento foi organizado pela União Brasileira de Mulheres (UBM) e pela Confederação das Mulheres do Brasil(CMB).
Segundo a técnica de enfermagem Rosângela Clotilde da Silva, 54, uma das coordenadoras do CantaMulher, a proposta do evento é mostrar que não existe democracia sem a participação efetiva das mulheres. “Esta é uma data política. Por isso, aqui viemos dizer não à ditadura, porque na ditadura o papel da mulher diminui e nós só temos a sofrer. Do contrário, queremos que todos os nossos direitos sejam reconhecidos, porque nós estamos vivas e não aceitamos nenhum direito a menos”, disse Rosângela. O evento, que começou por volta das 17h, teve como mote a defesa da democracia, dos direitos e de uma maior presença das mulheres na política.
Segundo a presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), Laudijane Domingos, o CantaMulher abre as atividades de março, que serão seguidas por ações em 26 municípios. “Vamos construir uma plataforma feminista ainda neste semestre, com mulheres de várias cidades, para ampliar a participação das mulheres na política. No segundo semestre, iremos apresentá-la oficialmente a candidatos e candidatas a prefeito do Recife, com as principais demandas femininas, ligadas à saúde, moradia e trabalho. Ainda no segundo semestre, comemoraremos no dia 25 de julho o Dia Internacional da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha com diversas ações.
Uma das artistas que subiu ao palco foi Sônia Sinimbu, que teve um repertório baseado na obra da cantora argentina Mercedes Sosa. “É um grande privilégio fazer parte de um evento como esse, em que se reúnem artistas, poetisas e mulheres empoderadas para cantar outras mulheres que foram consideradas vozes na América latina em um período em que as vozes femininas eram silenciadas”, disse.
A dona de casa Verônica Moreira, 56, foi uma das que foi à Praça do Arsenal prestigiar o CantaMulher. “Participo de movimentos feministas há mais de 10 anos. Estou sempre na luta com elas por melhores condições para as mulheres, desde atos na rua até sugerindo pautas no congresso e cobrando ações constitucionais”, contou. O CantaMulher realizou sua primeira edição em 1984 e teve como artista a cantora Nara Leão. “Após 15 anos sem acontecer, foi retomado este ano pela necessidade de defender os direitos das mulheres e da democracia”, ressaltou uma das organizadoras, Tereza Accioly.