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Estudo lança ranking com dez bairros mais sujeitos a mudanças climáticas

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Foto: Hélia Scheppa/Governo do Estado
Conferência Brasileira de Mudança do Clima foi aberta nesta quarta-feira no Recife.

Um estudo inédito lista um ranking com os dez bairros do Recife com maior risco de serem afetados pelas mudanças climáticas ocorridas no mundo. A análise faz parte de um cenário projetado entre os anos de 2011 e 2040. As principais ameaças para os moradores dessas regiões são inundações, ondas de calor, deslizamento, seca meteorológica, elevação do nível do mar e doenças transmissíveis. Os três primeiros colocados no ranking de risco são Macaxeira, Campina do Barreto e Mustardinha.
 
O Índice de Vulnerabilidade Climática, como é chamado o estudo, originou o primeiro Plano de Adaptação às Mudanças Climáticas, lançado nesta quarta-feira (6), pela Prefeitura do Recife, durante a Conferência Brasileira de Mudança de Clima, realizada no Recife Antigo até a próxima sexta-feira (8).
 
No caso dos três primeiros colocados, por exemplo, as principais ameaças climáticas para essas regiões são inundações, ondas de calor e doenças transmissíveis. Alto José Bonifácio, Morro da Conceição  e Ipsep ocupam, respectivamente, a quarta, quinta e sexta posições. Em seguida, vêm Fundão, Torrões, Brejo da Guabiraba e Caçote.
 
O estudo fez uma comparação entre duas tabelas. Uma com os dez bairros historicamente em risco e outra com os bairros em risco no período de 2011 a 2040. Macaxeira, Campina do Barreto e Mustardinha, por exemplo, mantiveram as posições, ou seja, permanecem altamente suscetíveis às mudanças climáticas nas duas tabelas.
 
Já o Morro da Conceição, Fundão e Brejo da Guabiraba permanecem entre os dez primeiros colocados no cenário projetado, mas caíram algumas posições no ranking atual.
 
Historicamente, os bairros mais ameaçados se concentram nas RPAs 2, 3 e 5. A novidade da tabela atual é a expansão para o Ipsep, bairro da RPA 6. Segundo o relatório, o Ipsep apresenta elevado risco de inundação, doenças transmissíveis, ondas de calor e seca.
 
Outra mudança se refere ao Córrego do Jenipapo e Alto Santa Terezinha, que já não estão mais entre os dez bairros com mais risco de serem afetados pelas mudanças climáticas. Apesar disso, ainda são considerados ameaçados, sujeitos a riscos de deslizamentos, doenças transmissíveis e seca meteorológica.
 
O estudo ressalta que o ranqueamento serve como medida de auxílio para tomada de decisões e não significa dizer que os outros bairros da capital pernambucana devem ser relegados a investimentos e obras de adaptação.
 
O plano apresenta 14 medidas de adaptação debatidas com a sociedade e grupo técnico da Prefeitura do Recife para aumentar a resiliência nos pontos mais críticos. O índice de risco crítico para a cidade foi concebido pela Corporação Andina de Fomento, desenvolvido por uma equipe do WayC’arbon, ICLEI e colaboração da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, Instituto Pelópidas Silveira e Secretaria Executiva de Defesa Civil.
 
Entre as medidas de adaptação estão modernização das redes de drenagem; requalificação urbana em áreas inundáveis, costeiras e de encosta; captação, detenção, retenção e uso das águas pluviais com o intuito de ampliar áreas permeáveis para absorver e armazenar água das chuvas, o que favorece a redução de inundação e alagamentos; estratégia de agricultura urbana para reduzir o calor, entre outras.

Compromissos
A abertura da Conferência Brasileira de Mudança do Clima contou com a assinatura de mais de um compromisso relacionado a mudanças climáticas. A Declaração do Recife é um deles. O documento sugere ações a serem adotadas pelos diversos atores da sociedade brasileira com o objetivo de priorizar o cumprimento da agenda de descarbonização. Envolve decisões econômicas, tecnológicas, de comércio internacional, de modelo energético, de direitos humanos, de segurança nacional e paz entre as nações.
 
Outro compromisso assumido foi a assinatura, desta vez por parte do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, do decreto que declara o reconhecimento à emergência climática global pelo município do Recife. Com essa assinatura, o Recife está junto a um movimento internacional com mais de mil governos e entidades, em 18 países. A partir da assinatura, fica determinado que políticas públicas devem priorizar as comunidades vulneráveis, bem como comunidades históricas e desproporcionalmente impactadas por injustiças ambientais. 
 
Além dessas ações, a Associação Brasileira de Entidades Estaduais do Meio Ambiente (Abema) lançou a Carta dos Órgãos Estaduais do Meio Ambiente pelo Clima, assinada por 26 estados e o Distrito Federal. O documento apresenta 17 compromissos relacionados à adoção de políticas relacionadas a mudanças climáticas, entre elas, reconstrução florestal.