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Passarela do Hospital das Clínicas, na BR-101, vira lenda

Ainda está sem previsão de instalação a nova passarela de pedestres em frente ao Hospital das Clínicas/UFPE, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, um ano e três meses após a retirada da estrutura metálica que facilitava a passagem do grande fluxo de pessoas entre um lado e outro da BR-101. Desde então, funcionários, pacientes, moradores da região e comunidade acadêmica em geral só conseguem fazer a travessia através de um semáforo implantado provisoriamente no meio da rodovia federal.
Segundo o Departamento de Estradas e Rodagens de Pernambuco (DER-PE), o projeto executivo da passarela que será construída está em fase de elaboração. A expectativa é de que o documento seja concluído até dezembro de 2019, mas sem data para a implantação do equipamento.
Ainda de acordo com o órgão, a nova estrutura será em concreto, em modelo semelhante à instalada em frente ao Colégio Militar do Recife, também na BR-101. “A nova passarela será construída no mesmo local da anterior. O órgão esclarece que, após a conclusão do novo equipamento, o mesmo passará a ser de responsabilidade do DNIT”, informou a assessoria de comunicação do DER-PE.
A antiga passarela em estrutura metálica foi removida em abril do ano passado, por apresentar problemas de má conservação, como ferrugens, buracos, pedaços de ferros soltos e instabilidade no piso. A retirada da passarela, inclusive, veio junto com a promessa de instalação breve de um novo equipamento, para facilitar e garantir a segurança de quem precisa fazer a travessia diária em frente ao Hospital das Clínicas. Tanto que, à época, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) chegou a dizer que, “até que a nova passagem fosse erguida, seria colocado provisoriamente um semáforo de pedestres nesse mesmo trecho da BR-101”.
O DER-PE também chegou a afirmar, em abril do ano passado, que o projeto da nova passarela estava inserido nas obras de restauração e requalificação do Contorno Recife da BR-101, previstas para serem concluídas no próximo mês de setembro. No entanto, quando questionado, o DER não informa sequer detalhes a respeito da nova estrutura, muito menos uma expectativa de quando será instalada.
Enquanto isso, a população segue fazendo a travessia naquele trecho com muita insegurança. É o caso da professora aposentada Joseane Alves, 69 anos, que há dois meses faz um tratamento no Hospital das Clínicas, após sofrer um atropelamento por motocicleta em frente à UPA Caxangá. Ela teve um braço fraturado e o outro deslocado e teme passar pela mesma situação em frente ao HC, nas idas e vindas do tratamento.
“Eu não tenho confiança de passar aqui na BR, mesmo com o semáforo vermelho para os carros. Porque vejo com frequência os motoristas e motociclistas avançando o sinal. Eles não respeitam. Já vi acidente e um rapaz morrer aqui na frente. A passarela era melhor”, contou dona Joseane.
O funcionário do HC, Kelvyn Nunes, acrescenta também que a travessia com a passarela, além de mais segura, é mais rápida. “Nem sempre o semáforo funciona e os pedestres precisam atravessar “na sorte””. Segundo ele, enquanto o semáforo de um sentido da via está aberto, o outro sentido está fechado, chegando a durar até dez minutos o tempo de passagem entre um lado e outro da rodovia.
“Vejo a impaciência dos motoristas quando o sinal está fechado para eles. Uns buzinam e outros avançam arbitrariamente, mesmo estando em frente a um hospital. E quem precisa fazer essa travessia diariamente se sente completamente desprotegido. Para quem é idoso e tem dificuldade de locomoção, a situação é pior ainda”, reclama Kelvyn.
Para ele, o semáforo foi uma medida paliativa, “feita nas coxas”. “Acredito que o Dnit deveria ter tentado recuperar a passarela metálica, quando ainda era possível, ou então ter substituído imediatamente a antiga pela nova e não colocar o semáforo de forma provisória. Foi um erro em cima do outro. Os carros passam muito rápido numa rodovia e é perigoso para quem faz essa travessia”, opina Nunes.