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Palhoças de comerciantes são demolidas na orla de Olinda

Donos dos quiosques afirmam que não houve aviso prévio e alegam que não tiveram acesso ao mandado

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Foto: Camila Pifano/Esp.DP
Comerciantes que trabalham na orla de Olinda foram surpreendidos, na noite desta quarta-feira (9), com uma ação da prefeitura da cidade, que retirou as palhoças da beira-mar. Eles afirmam que não houve aviso prévio para tal medida e alegam que não tiveram acesso ao mandado para derrubar os quiosques. 

"Eu trabalho aqui há oito anos e nunca vi o que estão fazendo agora. Não tem papel, não tem nada. Só estão dizendo que têm o mandado. Com a polícia aqui, a gente não pode fazer nada", desabafou Aguinaldo dos Santos Alves, 24 anos, que trabalha em uma das palhoças. "Até agora não deram explicação alguma. A gente não sabe de nada. Só sei que estão derrubando as palhoças e deixando os trabalhadores sem trabalho", completou ele. 

Ao todo, são 10 quiosques na orla de Olinda. Apenas dois foram derrubados. Marcele Melo, 23, afirma que soube que a palhoça que o pai mantém no local há 38 anos estava sendo derrubada através de uma ligação de um conhecido que presenciou a cena. "Quando a gente chegou, a barraca já estava abaixo", afirma a jovem, que conta, ainda, que a sua mercadoria foi levada por um caminhão. 

Marcele reforça que a prefeitura não avisou que iria demolir os quiosques."Antes do final do ano, (funcionários da prefeitura de Olinda) vieram aqui (pedindo) para a gente comparecer lá, mas que iam tirar barraca, não avisaram à gente, não", disse ela. "A gente não viu ordem judicial nem nada", completou a jovem. 

A equipe do Diario tentou um posicionamento dos funcionários que realizavam a demolição das palhoças, mas ninguém quis falar com a reportagem. Eles estavam com um fardamento escrito "Busca e apreensão" da prefeitura de Olinda.

A prefeitura de Olinda afirmou que as atividades de duas barracas foram encerradas por motivos de ilegalidade, perturbação da ordem e do sossego.

Confira nota na íntegra:
A Prefeitura de Olinda, por meio da Secretaria-executiva de Controle Urbano, esclarece que a ação de fiscalização realizada na orla da cidade, na última quarta-feira (9), encerrou as atividades de duas barracas (palhoças) por motivos de ilegalidade, perturbação da ordem e do sossego. As barracas atuavam irregularmente na faixa de areia, sem qualquer concessão para a operação no local, sem controle do lixo e infringindo a legislação. Os estabelecimentos, de natureza clandestina, já haviam sido notificados previamente, por duas vezes, mas não apresentaram documentação válida e nem atenderam às recomendações para adequação. Motivada por dezenas de denúncias de moradores e frequentadores da área, a Prefeitura já havia apreendido dois aparelhos de som. Os responsáveis também foram advertidos, para se dirigirem até a sede do órgão para a regularização, mas também não atenderam a essa recomendação. Por se tratar de uma via de grande fluxo e para evitar aglomerações e prejuízos à fluidez do trânsito, comércio e circulação de pedestres, ação aconteceu no período noturno. A Prefeitura de Olinda ressalta a natureza pacífica da operação, acompanhada de perto pela comunidade, que já havia registrado uma série de denúncias aos órgãos de controle, sempre apontando os diversos transtornos gerados pelos referidos estabelecimentos.