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Cinco anos depois, engorda da orla de Jaboatão requer ajustes

Município busca verbas para obras em trechos onde mar voltou a avançar em Candeias e Piedade

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Projeto ampliou faixa de areia em toda a beira-mar de Jaboatão dos Guararapes. Foto: Julio Jacobina/DP

Passados cinco anos do início da engorda de 5,8 km da orla de Jaboatão dos Guararapes, alguns trechos voltaram a ser engolidos pelo mar. Em Candeias, na altura do imóvel de número 7.651 da Avenida Bernardo Vieira de Melo, a maior parte da areia usada para conter o avanço foi alcançada pela água. Segundo a prefeitura, a área é suscetível à destruição costeira devido à proximidade com a foz do Rio Jaboatão e à correnteza, que muda constantemente. Há um projeto, em fase de captação de recursos, com custo de R$ 7 milhões, para corrigir o problema. Até agora foram investidos R$ 41,5 milhões na engorda, com dinheiro do Ministério de Integração Nacional e do município. 

A Secretaria Municipal de Infraestrutura também identificou a necessidade de realizar o enrocamento em Piedade, próximo ao Hotel Golden Beach. A obra prevê instalação de cerca de 2 mil m3 de quebra-mar. Será construído um arrecife artificial de 140 metros de comprimento entre os arrecifes naturais, com o objetivo de reduzir a correnteza e preservar a areia. Na gestão passada, foi realizada uma licitação, mas a atual administração constatou que o projeto não estava adequado às soluções necessárias. A proposta está sendo revisada para que seja aberto um novo processo licitatório e a previsão é iniciar os trabalhos em outubro. 

A Secretaria Executiva de Meio Ambiente já identificou o fluxo de esgoto em direção à praia, a partir de uma galeria de água pluvial em Barra de Jangada. A rede foi construída para receber chuva, mas moradores fazem ligações clandestinas. O órgão está identificando os imóveis para obrigar o desligamento. 

Além da engorda da praia, o projeto inclui a construção de 150 metros de calçadão e pista de cooper nas proximidades do Sesc de Piedade. A obra deve ser entregue na sexta-feira. Mas moradores reclamam da falta de continuidade de cerca de 300 metros da pista até a esquina da Rua do Loreto. “É um pedacinho de rua só. Deveriam ter feito logo porque quando chove fica tudo alagado”, lamentou o aposentado Manoel Queiroz, 67. A prefeitura informou que não há previsão de extensão, mas que já foi feita a reposição de areia, porque, com o tempo, o mar avançou e parte da engorda foi reduzida.

Desde seu início, o projeto coleciona números que impressionam. Os 1,2 milhão de m3 areia usados vieram do alto-mar, a 2km do Cabo de Santo Agostinho. A draga trabalhou 24 horas, fazendo quatro viagens diárias para recolher o material. Quando a maré subia, a máquina descarregava a areia com a ajuda da tubulação de 2 km de comprimento.