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Combinação álcool e direção deixa rastro de tragédias e impunidade nas estradas pernambucanas
O empresário Alisson Jerrar, por exemplo, matou uma técnica de laboratório após ultrapassar o sinal vermelho há nove anos e até hoje segue respondendo em liberdade
A combinação entre álcool e direção é responsável por deixar um rastro de tragédias e impunidade nas estradas pernambucanas. Casos emblemáticos como o do empresário Alisson Jerrar, que matou uma técnica de laboratório após ultrapassar o sinal vermelho há nove anos e até hoje segue respondendo em liberdade, evidenciam a dificuldade em punir quem dirige sob efeito de álcool. Embora o Brasil seja o quinto país do mundo em número de mortes no trânsito e a embriaguez apareça como a terceira causa para isso, um levantamento do Movimento Não Foi Acidente mostra que condenação com prisão por crime de trânsito é rara no país e até hoje só atingiu 19 pessoas.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) afirma que a parametrização de informações processuais não estabelece a relação entre os assuntos “homicídio” e “crimes de trânsito”. Dessa forma, não há como apontar se um homicídio foi decorrente de crime de trânsito, ou se o crime de trânsito resultou em morte.
Para o presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, é preciso rediscutir a legislação vigente. “As regras não têm nenhum agravante para condutores que assumem o risco extremado, não só de bebida, como de rachas. O regime de cumprimento de pena é mais brando, dificulta a punição.” O criador da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz, concorda, mas pondera. “Não há lei municipal, estadual ou federal, por mais ampla e forte que seja, que atinja todos os seus objetivos se não houver mudança de comportamento na sociedade.” Abaixo, relembre outras vidas ceifadas pela irreponsabilidade ao volante, em Pernambuco.
OUTROS ACIDENTES
13 de dezembro de 2008
O empresário Alisson Jerrar, 21 anos, matou a técnica de laboratório Aurinete Santos, 33. Ele dirigia sob efeitos de álcool e ultrapassou um semáforo, em Boa Viagem. O caso se tornou ícone em Pernambuco, pois pela primeira vez o motorista foi indiciado por homicídio doloso. Alisson foi julgado em 2014 e condenado há oito anos em regime semiaberto. Ele recorre da pena em liberdade.
2 de fevereiro de 2010
A cientista ambiental Ludmila Mirelle Inácio da Silva, 27 anos, morreu depois de capotar o carro nas imediações do Complexo de Salgadinho, em Olinda. Ela digiria um veículo a mais de 100 quilômetros por hora, estava sem cinto de segurança e apresentava teor alcoólico no sangue. O médico Homero Rodrigues Silva Neto, 39, que estava no carro com a vítima, foi denunciado por homicídio doloso qualificado.
29 de julho de 2010
O estudante Diego Calixto de Farias Carvalho, 19 anos, atropelou duas mulheres na Avenida 17 de Agosto, em Casa Forte. Sem carteira de habilitação, ele havia saído de uma festa dirigindo escondido o carro da mãe. Uma das mulheres morreu na hora. Ele confessou ter bebido e foi preso em flagrante. Diego morreu em 2011, depois de uma parada cardíaca, antes da primeira audiência do caso.
15 de novembro de 2012
O metalúrgico Rafael José Alves Borborema, 22 anos, morreu depois que a moto em que estava foi atingida pelo carro onde estavam o soldado da Polícia Militar Walbert Antônio de Oliveira e mais dois amigos. Os três admitiram que ingeriram bebida alcoólica. O veículo avançou o sinal vermelho, no Ibura. Segundo Walbert, o carro era conduzindo por Ednaldo Roberto de Melo Júnior, que assumiu a culpa.
13 de agosto de 2016
Isabela Cristina de Lima, 26, e Adriano Francisco da Silva, 19, morreram depois de serem atingidos por um veículo quando estavam em uma calçada, em Boa Viagem. Três pessoas estavam dentro do carro e apresentavam sinais de embriaguez. O motorista Pedro Henrique Machado Villacorta, 28, se apresentou à polícia, assinou um termo e foi liberado.