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Massagens e músicas para reduzir o choro e a irritabilidade dos bebês com microcefalia
Comportamento irritadiço tem mobilizado mães e especialistas a desenvolver técnicas de tranquilização adequadas

Crianças com lesões cerebrais, não apenas as causadas pelo vírus da zika, choram mais do que as demais, segundo Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria e especialista em recém-nascidos de alto risco. “O alarme para a criança é o choro, a forma de dizer que algo está errado. Quando não tem um cérebro saudável, o bebê acaba sendo irritadiço.”
O professor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Marcelo Masruha Rodrigues explica ainda que essa reação do bebê não está necessariamente relacionada à dor. “Pode até haver em alguns casos. Quando há aumento de tônus muscular, com rigidez dos membros, a criança pode ter dificuldade para ser vestida e tirar a roupa, com aumento da pressão na região de dobras. Nos bebês menores, na maioria das vezes não há relação com dor.”
O caminho até descobrir isso é tortuoso para as mães, com noites insones e dias de inquietação. No começo, Bruna tentava dar remédios, comida, nada adiantava. “Meu marido trabalha à noite e eu ficava muito cansada. Tentava dar remédio, não adiantava. Então, ficava desesperada sem saber o que ele tinha e acabava descontando meu estresse na família”, conta Bruna.
Foi nas terapias multidisciplinares que Bruna aprendeu a abrandar a irritação de Enzo. A técnica que tem dado mais resultado, conta, é colocar o garoto de barriga para baixo ou então fazer massagem na cabeça. “Como se fosse um cafuné. Ele dorme num instante, às vezes fica delirando”, exemplifica. Algumas estratégias ela aprendeu na internet, como utilizar o edredom para fazer uma espécie de travesseiro.
Amor e paciência são a “receita” da recepcionista Daniele Santos para momentos de angústia. “Já sabemos que o banho é um dos momentos em que ele relaxa, demonstra prazer e se acalma. Então, tentamos aproveitar ao máximo para brincar e estimulá-lo.”
A pediatra Daniele Cruz, do Imip, diz que o primeiro passo foi tentar entender, junto aos outros especialistas, o comportamento. Depois, procurar soluções. A mais óbvia são medicamentos para acalmar, mas foi durante um atendimento que encontrou uma resposta mais humanizada ao choro.
Percebeu que uma das crianças prestava bastante atenção ao barulho produzido por uma fita métrica, justamente no momento de medição do perímetro cefálico. Então, decidiu colocar músicas para tocar durante cada consulta. Em geral, as canções são clássicas ou de relaxamento, como as de aulas de yoga. Mas podem variar a depender do gosto da criança. Até Raul Seixas já conseguiu ‘calar’ um pequeno.
“Eles respondem muito bem à música. Também fico falando no ouvido deles e outras ações mais específicas. O atendimento é individualizado, então depende da resposta de cada um, com o tempo vamos conhecendo.”