UTI materna do Cisam sem funcionar desde 2013 por falta de equipe
Denúncia deputado Edilson Silva aponta que unidade conta com equipamentos médicos novos aguardando equipe profissional capacitada

risco.
[SAIBAMAIS]
Ainda segundo o parlamentar, equipamentos caros como uma termodesinfectora e duas a autoclaves de barreira, utilizados para esterilizar material médico e que custaram mais de R$600 mil estão encaixotados, correndo o risco de deteriorização, também porque não foi feita uma reforma no Centro de Material e Esterilização (CME) para recebê-los, enquanto o estado estaria gastando de R$400 mil a R$500 mil anuais para terceirizar o serviço. Já a reforma, aguardada há anos, estaria avaliada hoje em R$ 350 mil. Com o centro em funcionamento, o local poderia absorver a demanda de outras unidades de saúde do estado.
Diante das irregularidades, o deputado anunciou que está entrando com uma açao judicial para cobrar ao governo do estado um providência: "É inadimissível que isso aconteça, principalmente quando a gestão reclama de crise fiscal e falta de recursos", acrescenta. O Cisam é administrado pela Universidade de Pernambuco (UPE) e é referência na atenção à saúde da mulher.
O parlamentar relatou ainda que os equipamentos de ar-condicionado estão sendo mantidos ligados de forma ininterrupta, mesmo sem o funcionamento da UTI, para garantir a preservação do material médico. “Vemos gastos desencontrados e falta de planejamento”, complementou.
O deputado aponta ainda que a unidade foi reinaugurada às pressas em dezembro de 2013, após ter passado um ano e um mês fechada para
reforma, mas segue com a estrutura inutilizada, enquanto a mortalidade materna cresce no Recife. Segundo ele, em 2014, foram registrados 13 óbitos de mulheres residentes na capital. No Estado, foram 76. Apenas nos três primeiros meses de 2015, já foram confirmados 11 casos no Recife, segundo o Comitê Estadual de Estudo da Mortalidade Materna (CEEMM). Um dos principais indicadores na avaliação do desenvolvimento de uma região, a mortalidade materna está vinculada à insuficiência na prestação de serviço de saúde às mulheres grávidas ou até um ano após o fim da gestação.
Na manhã da terça-feira passada, Edilson Silva visitou o Cisam e foi recebido pelo diretor da unidade, o médico ginecologista Olímpio Moraes e conheceu as melhorias implantadas pela atual gestão, como a economia de R$ 80 mil/mês
no refeitório por meio de um melhor controle de acesso, substituindo as fichas por identificação digital.No encontro, ficou acertado que Edilson destinará uma emenda parlamentar, no valor de R$ 100 mil, para a capacitação profissional dosservidores da maternidade da Encruzilhada e atendimento a mulheres vítimas
de violência, em consenso com a direção da unidade.
Com estrutura para dar assistência a 104 pacientes por mês, o Cisam funciona hoje com sobrecarga de 300% a mais do que a capacidade. Mensalmente, 400 mulheres buscam os serviços da maternidade da Encruzilhada, em média, segundo a direção da unidade.