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Calçada, o primeiro passo da mobilidade urbana
O passeio público funciona como um "medidor" da qualidade de urbanização de uma cidade

Na quinta reportagem da campanha Sou do bem no trânsito, veiculada até 25 de setembro, o Diario mostra, a partir de bons exemplos, que calçadas com boa qualidade são fundamentais para a mobilidade urbana sustentável. Como enfatiza o consultor em gestão e autor do livro Calçada: o primeiro degrau da cidadania urbana (2013), Francisco Cunha, o passeio funciona como um “medidor” da qualidade de urbanização de uma cidade. “Nossas calçadas são historicamente mal tratadas. Ainda hoje, a situação é muito ruim. Cuidar delas é melhorar a mobilidade”, ressalta.
Uma calçada adequada precisa seguir alguns critérios. Elas devem ser largas e, quando possível, protegidas por arborização para dar conforto aos pedestres. Uma iluminação adequada também é importante para quem caminha à noite. Um bom exemplo é o passeio, de aproximadamente quatro metros de largura, do residencial Saint Elisée, na Rua Simão Mendes, bairro da Jaqueira. “Um item que não esquecemos foi o jardim, um ponto de beleza e sinal de gentileza para quem passa pela calçada”, destaca a moradora do condomínio Rita Guerra, 60.
Responsabilidade também é do cidadão
Andar pelas calçadas do Recife é um ato tortuoso. São tantos os obstáculos no passeio, que a mobilidade da população que se desloca a pé pela cidade é dificultada e até, em alguns casos, impedida. Raízes de árvores, barracas, lixo e desníveis atrapalham o caminho dos que transitam pela capital pernambucana. O cuidado com o passeio é, também, responsabilidade dos cidadãos.
A lei municipal 16.890, de 2003, determina que os proprietários façam a manutenção de sua própria calçada. Muitos recifenses, porém, não conhecem a lei. Outros sabem que devem cuidar do passeio em frente à residência, mas desrespeitam a norma. De acordo com a lei, o cidadão pode ser multado de R$ 161,36 a R$ 2.418,77, dependendo do tipo de infração.
Por outro lado, cabe à prefeitura a manutenção das calçadas de canteiros centrais de vias, frentes de água - como rios e canais-, praças, parques e imóveis públicos municipais. “Quando a prefeitura precisa fazer uma obra e mudar uma calçada privada, também cabe à gestão municipal o reparo ou manutenção dela. Nos demais casos, o proprietário ou ocupante do imóvel deve cuidar do passeio”, esclareceu a diretora de Manutenção Urbana do Recife, Fernandha Batista.
Perfil do pedestre
1,5 milhão de pessoas se deslocam a pé diariamente na Região Metropolitana do Recife*
* Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) de 2008
Tempo médio gasto por deslocamentos segundo a pesquisa Origem/Destino
43 minutos de ônibus
28 minutos de transporte individual
16 minutos a pé
Em 1972
19% dos deslocamentos eram a pé
Em 1997
24% dos deslocamentos eram a pé
1.529 pinos de ferro
645 bancos/cadeira
526 carcaças de automóveis
494 cavaletes e cones
483 barracas comerciais
232 pneus
121 carroças de lanche/churrasco
76 jardineiras/caqueiras
53 grades de ferro
48 toldos
43 churrasqueiras/galeteira
41 carrinhos de supermercado
34 pufes
21 manequins
11 metros de correntes de ferro
** De 2013 a agosto de 2015 pela Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife
Princípios de uma calçada ideal
Sombreamento: utilização de árvores para amenizar os efeitos do sol
Continuidade: interligação entre zonas de serviço dos bairros
Acessiblidade: acesso a deficientes, crianças, idosos e adultos
Serviços: evitar instalação de obstáculos na faixa de passagem
Tamanho: não se limitar ao mínimo de 1,20 m
Faixa de serviço %2b faixa livre %2b faixa de acesso
Faixa de serviço (instalação de hidrantes, árvores e postes): 0,75 cm de largura mínima
Faixa livre (para circulação): 1,20 m de largura mínima admissível e 1,50 m de largura mínima recomendada
Faixa de acesso: sem largura mínima
Rampa de rebaixamento para acessibilidade: 1,20 m de largura
Mobiliário urbano de grande porte (banca de revista) devem estar a 15 m do eixo da esquina
Mobiliário urbano de pequeno e médio porte (telefone público ou caixa de correios) devem estar a 5 m do eixo da esquina
Árvores
Mudas com 2,30 m de altura máxima
A vegetação escolhida deve ter altura máxima de 6 m quando adulta
Fontes: Prefeitura de Recife, Secretaria das Cidades, Guia de Construção de Calçadas da ONG Soluções para Cidades e dados da pesquisa Origem/Destino