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Medo impera nas ruas escuras do Recife

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No bairro de Campo Grande, moradores se preocupam ao andar à noite. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press
Pelo menos três vezes por semana, a faxineira Mirian Duarte, 38 anos, vai à igreja à noite. Moradora do bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife, ela anda pelas ruas com preocupação. A falta de iluminação em algumas áreas, problema crônico na capital pernambucana, impõe o medo da violência. Promessa da prefeitura, a criação do “Disque Luz”, canal de comunicação por meio do qual a população informaria problemas com iluminação pública e teria a garantia de resolução em até 48 horas, continua no papel.

A proposta faz parte do Pacto pela Vida do Recife, lançado em 2013. Durante as discussões, chegou-se ao denominador comum de que as ruas escuras e com pouca movimentação são mais propícias para o avanço da criminalidade. O investimento na manutenção de pontos de luz e criação de novos, portanto, se torna ainda mais necessário no momento em que o município teve aumento de 33,75% no número de assassinatos nos dois primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2014.

O bairro onde Mirian mora faz parte dos 15 considerados pela prefeitura como prioritários em ações para diminuir a violência. “Seria bom que as ruas fossem mais iluminadas e que a polícia circulasse mais”, disse a faxineira. Em Santo Amaro, na área central, o problema se repete e a população não sabe a quem recorrer.

“Para evitar assaltos, não deixo meus filhos saírem à noite. Há postes apagados e ruas desertas”, contou a dona de casa Alcione de Souza, 32 anos. Naphatali Bezerra, 53, também dona de casa, relatou que os moradores do bairro evitam as ruas com baixa ou nenhuma iluminação porque sabem que nelas há tendência para assaltos.

O presidente da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), Antônio Barbosa, reconheceu que o “Disque Luz” não foi implementado, mas garantiu isso acontecerá até o final da gestão, em 2016. Por outro lado, o gestor explicou que os recifenses podem telefonar para o 156 para resolver a questão da troca de lâmpadas nos postes. “Conseguimos atender, atualmente, até 87% das demandas. Com o Disque Luz, a meta é chegar a 100%”, disse.

Para diminuir o impacto da violência, 8 mil novos pontos de luz foram distribuídos nos últimos dois anos entre os 15 bairros prioritários, segundo Antônio Barbosa. Isso foi possível graças a parceria com o programa federal Reluz.

Saiba Mais

Assassinatos no Recife (janeiro e fevereiro):

2015 - 107
2014 - 80

33,75% foi o aumento registrado
12% de redução é a meta

Principais projetos não implementados pelo Pacto pela Vida do Recife:

1 - Construção de cinco Centros Comunitários da Paz (Compaz)
Situação: O primeiro ficaria pronto em outubro de 2013, dois em 2014 e dois em 2015. Nenhum entregue

2 - Instalação de 400 câmeras de videomonitoramento
Situação: só 100 foram instaladas

3 - Notificação obrigatória de violência contra a mulher nas unidades de saúde
Situação: não foi implementada. Profissionais estão em treinamento

4 - Reformas das bibliotecas municipais para atrair população
Situação: unidades permanecem sem infraestrutura adequada

Fontes: SDS, Prefeitura do Recife