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Quilombolas cantam cantigas para amenizar o trabalho árduo
Hábito de recitar versos cantados, enquanto desenvolvem as mais variadas atividades, é cultural

[SAIBAMAIS]Por sua vez, as fiandeiras e artesãs de Córrego do Rocha, em Chapada do Norte, entoam animados versos enquanto preparam o algodão para tecer inúmeras peças artesanais: "Chora bananeira/bananeira chora/chora bananeira/adeus, eu vou embora. Eu joguei água pra cima/aparei com a caneca/menininha bonitinha/cinturinha de boneca". Mais adiante, na comunidade de Quilombo, a marujada reúne desde os mais antigos aos mais novinhos em torno da dança e da música. Flauta, violão e tambor não podem faltar.
Quem é mais religioso, certamente, vai se emocionar com a oração cantada, que reúne homens, mulheres e crianças em uma só fé. Um dos momentos mais esperados e, ao mesmo tempo, inesperados, surpreendentes mesmo, foi a entrada dos moradores da comunidade Catitu do Meio, com seus trajes típicos e organizados, na Igreja de Santa Luzia, cantando o terço em coro. Uma coisa é certa, o turista vai encontrar motivos de sobra para ver, aprender e se divertir com cada uma dessas modinhas.
HOSPEDAGEM
Integrantes de 10 comunidades quilombolas pertencentes a Berilo, Chapada do Norte e Minas Novas vêm sendo preparados há dois anos pela ONG Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes) para receber o turista interessado em conhecer o modo de vida, as manifestações culturais, a comida e o artesanato. As cidades-sede têm boa estrutura de hospedagem e alimentação e servem como ponto de apoio para interessados em visitar cada um dos quilombos. Mas, quem quiser dormir em algum deles, é bom se informar sobre em quais se pode fazer isso. Vários já têm capacidade para acolher, dentro das suas possibilidades.
Zeca dos Santos Soares é um dos que tiveram treinamento para receber visitantes. E ele dá um show quando fala sobre as riquezas do lugar e seu trabalho. Morador de Santiago, ele se dedica à agricultura e à horta, plantando banana, marmelo, coco e batata, entre outros. "A terra aqui dá de tudo. Agora a água está um pouco difícil, mas daqui a pouco começa a chover e melhora". Sua mulher, Maria dos Anjos, coordena a escola local e é cozinheira de mão cheia, além de artesã e de ter uma infinidade de outros dons. Sua casa está pronta para receber turistas para o café da tarde.
Em Berilo, prontas para hospedar estão as casas de Selma e de Eni, na Comunidade Roça Grande. Em Chapada do Norte, tem a casa da Cida, em Córrego do Rocha, e casa de Dona Saninina, em Moça Santa (povoado de Caetés). Em Minas Novas, há as casas de Nete e de Lica, em Macuco; do senhor Marciano e dona Beota, em Quilombo; de Maria de Olímpio, em Santiago; e de Maria de Lourdes, em São Pedro do Alagadiço. E tantos outros que estão se preparando, que, como estes acima, acreditam e apostam no turismo como geração de renda e melhoria da qualidade de vida.
SERVIÇO
- Como ir:
De carro – Belo Horizonte/Berilo (560 quilômetros) – Use as BRs 135 e 367
De ônibus – Há dois carros que saem todas as noites da Rodoviária de Belo Horizonte: um vai até Minas Novas, passando por Diamantina (empresa Pássaro Verde); e outro vai até Araçuaí, passando por Guanhães (empresa Gontijo)
- Onde ficar:
Em Berilo: Hotel Pousada Vale de Minas – (33) 3737-1622
Em Minas Novas: Palace Hotel JK – (33) 3764-1107
Nessas cidades, haverá receptivo familiar para almoço e café da tarde em todas as comunidades. A previsão é que sejam grupos de até 12 pessoas (uma van), mas sempre agendando com antecedência. Para quem for de carro próprio, o ideal é contratar um monitor de turismo local.
- Central de Reservas e Informações da rota dos Quilombos:
e-mail: turismoquilombolamg@gmail.com
*A jornalista viajou a convite da ONG Cedefes e do Oi Futuro