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Ada Lovelace ainda desafia a invisibilidade feminina no campo da tecnologia

Programadora que participou da criação do primeiro computador eletrônico da história, dois séculos depois, ainda é símbolo de representação da mulher no universo científico

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Fonte: eniac programmers project.


A representação ainda tímida das mulheres nas áreas de estudo da tecnologia persiste no século 21, mas em 1842 uma mulher tornava-se programadora de computadores. Pouco lembrada na história devido ao preconceito em torno da figura feminina numa área dominada por homens, a matemática Ada Lovelace ainda hoje é símbolo da representação da mulher na área da informática.

A participação de Ada Lovelace na programação se dá pela criação de uma sequência de números que mais tarde foi reconhecida como o primeiro software da história. Ela participou do projeto Electronic Numerical Integrator And Computer (Eniac), primeiro computador eletrônico da história. Além de Ada, ainda participaram do grupo seis mulheres: Marlyn Wescoff Meltzer, Kathleen McNulty Mauchly Antonelli, Snyder Holberton, Jean Jennings Bartik, Frances Bilas Spence e Ruth Lichterman.


Nos anos 70, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos batizou a linguagem de programação utilizada em softwares de aviação de ADA, em homenagem a ela. Em comemoração aos seus feitos, cada dia 13 de outubro é lembrado como "Dia de Ada Lovelace", reconhecida por seu pioneirismo. A data ainda tem o objetivo de realçar os feitos femininos nas ciências.

Abrindo caminhos

Com nome de batismo Augusta Ada Byron, Ada só ficou conhecida como Condessa de Lovelace ao se casar com William King-Noel, barão que acabou se tornando o Conde de Lovelace. Filha do casal Lord Byron e Anne Isabella Byron, Lovalace teve o que os estudiosos consideram como "criação científica", já que trilhou os mesmos caminhos da mãe, tornando-se matemática. Lovelace morreu aos 36 anos de câncer no útero.

Segundo a professora do Centro de Informática (Cin) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ana Carolina Salgado, a representação feminina nos cursos da área chega a ter proporções de 5 alunas em uma sala com 50 pessoas. Em um resgate feito pela docente, que iniciou suas atividades na Unidersidade em 1989, a representatividade das mulheres foi mais forte na década de 90. "Já houve tempo em que a presença das mulheres na sala de aula chegava a 40%. Hoje temos mulheres bastante ativas, mas essa presença forte diminuiu", lembra.


Ana Carolina acredita que, passados os anos 90 e com a abertura de novos campos profissionais, as mulheres foram migrando para outras áreas do conhecimento. "Profissões como publicidade, gastronomia, acabaram por despertar maior curiosidade nas alunas", diz. A docente foi a primeira diretora do Cin, nomeada em 2001, e conta que não sentiu preconceito na sua carreia. "Temos muitas pessoas de destaque na computação. Acho que por desconhecimento ou falta de interesse há maior presença masculina na área", considera.