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Chegada do inverno aumenta em até 40% casos de doenças respiratórias; alta preocupa especialistas

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Fortes chuvas, aumento de casos de Covid-19 e chegada do inverno. O cenário é ideal para o aparecimento de doenças respiratórias no Brasil, como a gripe. A queda das temperaturas no inverno eleva em 40% os quadros de doenças respiratórias, como gripe, resfriado, rinite e sinusite, segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). Os números já são preocupantes: apenas nos dois primeiros meses de 2022, mais de 1,7 mil brasileiros morreram de gripe, maior número dos últimos seis anos.

A otorrinolaringologista do Hope Naiara Amorim explica que o aumento de casos de doenças respiratórias nessa época do ano é esperado. “A gente tem uma questão sazonal, né? Esse período começando o nosso inverno, essa época mais chuvosa, sempre temos um pico de aumento dessas infecções virais”, afirma. A queda nos termômetros reduz a imunidade do corpo e facilita o aparecimento de doenças transmitidas por vírus e bactérias como gripe, resfriado, asma, além da Covid-19.

Com a chegada do frio, há o temor de um novo surto de gripe no país. Em maio, Pernambuco chegou a registrar falta de medicamentos antigripais em farmácias e hospitais do estado. Também preocupa a baixa procura da vacina para a doença, ainda longe dos 90% desejados pela Secretaria de Saúde, que inclusive estendeu a campanha de vacinação até julho.

O maior temor é com a cepa do vírus H3N2 (Darwin), que recentemente teve forte circulação no país, causando uma epidemia. Em Pernambuco, mais de 300 pessoas morreram este ano decorrentes desta variante da gripe, principalmente idosos.

Mas o alto número de casos em crianças registrados entre março e julho é outro fator de alerta. “Tivemos um tempo grande de isolamento, especialmente as crianças menores. Aí a gente tem uma privação de estímulos de contatos que servem para o fortalecimento do sistema imunológico da criança”, diz Naiara.
 
Há ainda o recente aumento dos casos de Covid-19 no Brasil, alavancado pelo tempo frio e o abandono da maioria das medidas de restrição, como o uso das máscaras.

Outro fato que traz preocupação são as chuvas. No fim do mês de maio, Pernambuco foi atingido por chuvas bem acima da média histórica para o período. E o tempo chuvoso deve continuar, já que o período de abril até julho costuma registrar os maiores índices de precipitações no estado.

Crianças abaixo de cinco anos, devido à imaturidade do sistema imunológico, idosos acima de 60 anos e imunossuprimidos pertencem ao grupo que gera maior preocupação com as infecções respiratórias, segundo o Ministério da Saúde. 

Outra doença que preocupa nessa época do ano é a asma. Ao menos 300 milhões de pessoas no mundo são asmáticas e no Brasil esse número chega a mais de 20 milhões. No Sistema Único de Saúde (SUS), a doença oscila entre a terceira e quarta posição no ranking das causas de hospitalizações, sendo os meses de abril a julho os que registram os maiores números de internação por asma, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

A falta de tratamento adequado para essas patologias pode até mesmo fazer com que elas evoluam para problemas como pneumonia, sinusite, amigdalite e laringite. Outro ponto de alerta é que nesse período, as pessoas têm uma tendência maior a ficar em locais fechados e sem circulação de ar adequada. “Damos preferência aos locais fechados porque não está chovendo, mas nas áreas fechadas há uma maior circulação de vírus, diferente dos ambientes a céu aberto”, fala a otorrinolaringologista Naiara Amorim.
 
A especialista finaliza enumerando alguns cuidados importantes para diminuir os riscos de contrair doenças respiratórias nesse período. "Lavar as mãos com frequência, manter isolamento em caso de sintomas gripais. Também é extremamente importante o uso de máscaras em locais fechados, ainda mais nesse período de aumento de casos da Covid-19. E ainda realizar lavagem nasal com soro fisiológico, independente de sintomas", instrui.

Doenças mais comuns no inverno
 
Gripe
 
A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, provocado pelo vírus da influenza, com grande potencial de transmissão. Existem quatro tipos de vírus influenza/gripe: A, B, C e D. O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias. Os principais sintomas da gripe são: febre; dor de garganta; tosse; dor no corpo e dor de cabeça. Sintomas como coriza e diarreia também podem aparecer.
 
Resfriado
 
Uma infecção viral comum no nariz e na garganta. Ao contrário da gripe, um resfriado comum pode ser provocado por muitos tipos diferentes de vírus. A condição costuma ser inofensiva e os sintomas geralmente desaparecem em duas semanas. Os sintomas incluem secreção nasal, espirros e congestão.
 
Pneumonia
 
É uma infecção que se instala nos pulmões. Pode acometer a região dos alvéolos pulmonares onde desembocam as ramificações terminais dos brônquios e, às vezes, os interstícios (espaço entre um alvéolo e outro). Basicamente, pneumonias são provocadas pela penetração de um agente infeccioso ou irritante (bactérias, vírus, fungos e por reações alérgicas) no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa. Sintomas incluem febre alta; tosse; dor no tórax; alterações da pressão arterial; confusão mental; mal-estar generalizado; falta de ar; secreção de muco purulento de cor amarelada ou esverdeada e fraqueza.
 
Asma
 
Asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns. As principais características dessa doença pulmonar são dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, respiração curta e rápida. Os sintomas pioram à noite e nas primeiras horas da manhã ou em resposta à prática de exercícios físicos, à exposição a alérgenos, à poluição ambiental e a mudanças climáticas. Os principais sintomas são: tosse seca, chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração rápida e curta, desconforto torácico e ansiedade.
 
Rinite
 
É uma inflamação na mucosa do nariz e tem como sinais característicos a coceira no nariz, na garganta, no céu da boca e nos olhos, que também tendem a apresentar ardência e vermelhidão. Além disso, as crises são acompanhadas por espirros, coriza e obstrução nasal.
 
A rinite pode ser classificada como alérgica ou não-alérgica. No segundo caso, a causa pode estar relacionada a vírus e bactérias ou qualquer outro motivo que não seja voltado para a alergia. Na versão alérgica, a crise acontece quando a pessoa entra em contato com os alérgenos, como pólen, fumaça, produtos químicos e poeira.
 
Sinusite
 
É o distúrbio que envolve infecção e/ou inflamação dos seios da cabeça. A sinusite ocorre quando existe uma quantidade de pus que não foi drenada em um ou mais seios da face. Os distúrbios que causam inchaço das membranas do nariz, tal como a rinite alérgica ou infecções respiratórias por vírus são a causa mais comum porque o inchaço evita que o fluido drene normalmente.
 
Os principais sintomas são dor de cabeça (na frente da cabeça ou ao redor dos olhos); dor facial ao redor dos olhos ou na testa ou nas maçãs do rosto; dor no céu da boca ou nos dentes; secreção nasal; febre, calafrios; sensação de mal estar generalizado; às vezes inchaço facial ao redor dos olhos. Outros sintomas que podem estar associados são dor de garganta; sintomas de sangramento nasal e hálito desagradável.