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Raimundo Carrero: Multiplicidade de recursos técnicos revelam riqueza literária de Maximiano Campos
Maximiano privilegiava a Condição Humana, seu destino e sua espiritualidade
Por Raimundo Carrero
Escritor e jornalista
Integrante do Movimento Armorial, com forte adesão ao Movimento Regionalista, embora declaradamente participante da Geração 65, Maximiano Campos revela, talvez por isso mesmo, grande multiplicidade de recursos literários que o transformam em clássico da literatura brasileira. Pode ser considerado renovador do Movimento Regionalista porque associou técnicas desta Escola com o registro de situações e de cenários integrado a situações sócio-antropológicas, além da linguagem de personagens - ponto central do Regionalismo - com as conquistas estéticas do Armorial ao lado de uma montagem mais tradicionalista, ao gosto da Geração 65. Sim, a Geração 65 tinha uma raiz tradicionalista muito forte. Tradicionalista e conservadora a partir da influência do soneto clássico, vinda de Cruz e Souza, principalmente.
Este é um dado importante para o estudo da Geração 65, cuja estética sempre me impressionou muito. Alberto Cunha Melo foi, no princípio da carreira, um sonetista emérito, de grandes qualidades, somente mais tarde conheceu a poesia de João Cabral de Melo Neto, através de César Leal, e do poeta Vladimir Veloso. Um dado curioso nos faz observar que os poetas da Geração 65 eram revolucionários na teoria e conservadores na forma. Basta lembrar que o grupo surgiu através das atividades do movimento Dia Virá, que antecede o golpe militar de 1964.
Todos esses elementos influenciariam, sem dúvida, a maturidade literária de Maximiano Campos, embora evitando o discurso político incisivo e direto, mas cultuando a estética, embora sem apego declarado às técnicas. Do ponto de vista internacional cultuava os grandes clássicos, com destaque Tolstoi, Hemingway e Kazantzakis, vindo daí a criação de personagens vigorosos, alguns picarescos. Na verdade, Maximiano privilegiava a Condição Humana, seu destino e sua espiritualidade, admirando, com o máximo de exaltação, o conto “O Divino e o Humano”, de Tolstoi, raiz de sua obra que se desdobrou em muitos livros, incluindo os romances póstumos.
Muito rigoroso e muito atento, evitou, todavia, toda espécie de modismo, toda espécie de técnica modernosa, trabalhando somente com aquilo que lhe parecesse rigorosamente necessário, criando, enriquecendo e nunca imitando.
É preciso ressaltar que sempre aprendeu muito com o amigo Ariano Suassuna, com quem dividiu muitos debates em torno da cultura brasileira, ambos ardorosos nacionalistas e defensores do povo deste País. Dentro deste cenário vive a prosa pernambucana do século XX, que costumamos chamar de século de Ouro da nossa literatura, com obras marcantes de Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho, Maximiano Campos, Osman Lins, Gilvan Lemos e outros, com destaque para os “romances olindenses”, de Lucilo Varejão.