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Aurélio Molina: Eleições diretas já!
Nosso povo e país estão reféns de uma gang que se disfarça de homens públicos
Por Aurélio Molina
Ph.D e membro das Academias Pernambucanas de Ciências e de Medicina
As últimas delações premiadas, as gravações das tenebrosas articulações, os pedidos de prisão de altas autoridades da República e a “qualidade ética” de boa parte da atual equipe do presidente provisório comprovam aquilo que recusávamo-nos a crer: nosso povo e país estão reféns de uma gang que se disfarça de homens públicos. Sócrates, que definia o político como sendo aquele que lida com a coisa pública e que deve ter uma vida aberta e sem máculas, não acreditaria no que todos nós estamos tomando ciência, isto é, que aqui muitos deles são, em verdade, mafiosos cínicos, hipócritas e nauseantes que zombam, humilham e nos “estupram” diariamente.
E que, para preservar seus interesses vis, são capazes de qualquer coisa. Criar uma crise política, econômica e pôr em risco nossa democracia e nossas instituições, ajudando a criar um clima generalizado de intolerância (cujos desdobramentos podem nos levar a uma inaceitável e desastrosa guerra civil) é “café pequeno” para tal quadrilha. Vale tudo para fugir da Justiça dos homens, no caso específico da Operação Lava-Jato.
Tornaram-nos motivo de galhofa da opinião pública mundial, expresso em reportagens e editoriais de grandes jornais e manifestações. Mesmo considerando que a atual crise de valores éticos e morais “contaminou”, em maior ou menor escala, quase todos nós (ontem mesmo a fila da caixa exclusiva para idosos, gestantes e deficientes, de um grande supermercado do bairro de Casa Forte, estava longa e repleta de “outros/as”) é inegável que o exemplo deve vir “de cima”. Defendo não só que a corrupção deva se tornar crime hediondo, mas também que as penas deveriam ser mais duras quando envolvessem autoridades públicas.
Entretanto, não podemos nem devemos desistir do Brasil e ele tem jeito sim, pois como afirmou recentemente Mark Mobius, da Templeton Emerging Markets Group, “o potencial do Brasil, mesmo na crise, é único no mundo”. Nosso atual “inferno astral” é resultado, dentre muitas históricas variáveis causais, de uma cultura de exploração vil, de desvalorização do bem comum e de uma Justiça que não está a serviço do mesmo (inaugurada com o dito “descobrimento”), que nos tornou uma das nações mais injustas e desiguais do planeta e por um sistema econômico e educacional que ainda “sustentam” este apartheid social. Mas já fomos muito piores. E a série histórica dos dados, antes da crise, confirmava que aos trancos e barrancos estávamos “caminhando”.
É obvio que temos que melhorar (e muito) em todas as áreas, mas mesmo os mais pessimistas não têm como negar os avanços do país. São números referendados por todas as mais respeitadas instituições nacionais e internacionais. Portanto, me somo a inúmeros homens e mulheres de bem, de diversos segmentos e instituições da sociedade brasileira que tendo a clareza da complexidade, da gravidade e dos riscos da atual situação defendem eleições diretas, imediatamente, como um importante passo para tentar unir o país, resgatar a democracia e dar continuidade ao longo e árduo processo de tornar-nos a nação justa, fraterna, livre, feliz e soberana que todos almejamos.