° / °

Polícia Federal e MPF realizam nova etapa da Operação Zelotes em três estados

A investigação acontece em Pernambuco, Distrito Federal e São Paulo

Por

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal iniciaram uma nova fase da Operação Zelotes nesta segunda-feira. A operação ocorre no Distrito Federal, e nos estados de São Paulo e Pernambuco. A investigação examina o suposto esquema de compra e venda de votos no Carf, conselho vinculado ao Ministério da Fazenda que julga recursos de multas de grandes contribuintes. Um dos investigados nesta etapa é o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, alvo de um mandato de condução coercitiva. 

Nesta fase há pelo menos 30 mandados de condução coercitiva e o alvo da operação é a empresa Cimento Penha, acusada de pagar propina para ter multa anulada no Carf. Não há mandados de prisão. Por essa razão, a PF anunciou que não irá divulgar nomes dos investigados. A mesma operação apura ainda o esquema de compra de medidas provisórias nos governos Lula e Dilma.

Em Pernambuco, estão sendo cumpridos cinco mandados de condução coercitiva (um em Boa Viagem, dois em Paulista, um na Jaqueira e um em Olinda) e três mandados de busca e apreensão (um em Olinda e dois em Recife. Três contadores, um advogado e um auditor da Receita Federal foram levados para a sede da PF no Recife para prestar esclarecimentos.

Os agentes da PF apreenderam também documentos e arquivos de mídia que possam servir como prova nas investigações. Apenas um mandato de condução coercitiva não foi cumprido no estado, segundo o superintendente da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro. "Um dos alvos não foi encontrado aqui, mas as informações que temos é que ele está em São Paulo. Já repassamos isso para a PF em Brasília e eles decidirão qual o próximo passo", conta.

 

Um escritório de advocacia e um de contabilidade também foram visitados em Pernambuco. De acordo com informações da PF há indícios de que o esquema conta com a participação de laranjas. Um dos alvos de hoje estaria sido conduzido para depor pela segunda vez.

Um dos principais alvos desta etapa é a empresa Cimento Penha, suspeita de ter comprado decisões do Carf. A firma é de propriedade do empresário Victor Garcia Sandri, amigo do ex-ministro da Fazenda.

A empresa teria comprado o então conselheiro do Carf Valmar Fonseca de Menezes para anular seu débito. O MPF sustenta que o ex-ministro nomeou, em junho de 2011, Valmar e também o então conselheiro José Ricardo da Silva - já condenado na Zelotes - para a câmara que analisou o caso do seu amigo. Com isso, a Cimento Penha conseguiu abater débito de R$ 106 milhões em julgamento no Carf. 

Mantega já teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados. Também foram ordenadas as mesmas medidas em relação à Coroado Administração de Bens, empresa do ex-ministro petista. A Coluna do Estadão apurou que o MPF solicitou o cumprimento de ao menos 15 mandados de busca e apreensão e 15 conduções coercitivas. 

Em e-mails interceptados pela Zelotes, o empresário Victor Sandri menciona o nome de Mantega em conversas com o então conselheiro Valmar. As investigações teriam encontrado pagamento de R$ 15 milhões para empresa de auditoria e consultoria vinculada a Valmar.


A Zelotes foi deflagrada há um ano, em março de 2015. A última fase da operação, deflagrada em fevereiro, teve como um dos seus alvos o grupo siderúrgico Gerdau.

*Da redação, com agências

** Com informações da repórter Mariah Villanova