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Editorial: Quando as empresas fecham

Cerca de 1,8 milhão de empresas fecharam as portas ano passado, no Brasil. É a maior marca de empresas desativadas no país nos últimos cinco anos

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Levantamento divulgado ontem traz um resultado preocupante: cerca de 1,8 milhão de empresas fecharam as portas ano passado, no Brasil. De todos os tamanhos e setores. É a maior marca de empresas desativadas no país nos últimos cinco anos.  Dá uma média de 150 mil fechamentos por mês.

A pesquisa foi realizada por uma consultoria especializada em inteligência de mercado, a Neoway, que cruzou dados das juntas comerciais e da Receita Federal para chegar ao resultado.  “A mortalidade das empresas aumentou mais de 300% entre 2014 e 2015”, disse o presidente da Neoway, Jaime de Paula, responsável pelas estatísticas.  A explicação para tal situação é óbvia: reflete o impacto da crise do país nas empresas.

Para qualificar a informação, porém, é  necessário trazer mais dados, de outras instituições. Em setembro do ano passado, por exemplo, a pesquisa Demografia das Empresas, feita pelo IBGE, constatou que mais da metade das empresas fecham as portas depois de quatro anos de funcionamento.  O período aí estudado não foi o da crise atual, mas o de 2009-2013.  O levantamento mostrou que das 694 mil empresas criadas em 2009, só 47,5% se mantinham em funcionamento em 2013.

Também em agosto do ano passado, ao comentar o grande número de empresas que estavam encerrando suas atividades, o secretário executivo da Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), José Constantino de Bastos Júnior, acrescentou um item relevante para a análise dos números: a sanção da Lei Complementar 147, de 7 de agosto de 2014, que eliminou burocracia para o processo de fechamento. “Ficou mais fácil fechar uma empresa” ee como havia “um represamento de mais de um milhão de firmas inativas”, os números que analisam a situação precisam levar esse detalhe em consideração, argumentou ele na época.

Independentemente de qualquer atenuante, no entanto, o quadro recessivo em que estamos é de tremenda dificuldade para as empresas - e consequentemente para os trabalhadores.  Diariamente temos números da economia que mostram resultados “piores do que nos últimos anos”.  Enquanto isso o Brasil navega numa crise política que parece não ter fim - cujas consequências mais danosas têm recaído sobre as empresas, os trabalhadores e a sociedade em geral.