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Morte de Li Wenliang, 1º médico a alertar sobre a Covid-19, completa 2 anos
Na segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022, será o segundo aniversário da morte de Li Wenliang, oftalmologista chinês que, junto a outros sete médicos, foi o primeiro a dar o alerta sobre o novo coronavírus, terminou infectado e não resistiu.
Ele escreveu uma mensagem em 30 de dezembro, num grupo virtual de ex-colegas de faculdade, explicando que sete pacientes foram internados no hospital em Wuhan com sintomas muito parecidos com a SARS, a epidemia causada por outro tipo de coronavírus e foi causadora de quase 800 mortes em 2003.
Li também apontou os pacientes tinham algum tipo de relacionamento, direto ou indireto, com o mercado de frutos do mar de Huanan, onde se vendia todo tipos de animal silvestre. Posteriormente, o mercado foi identificado como o local onde a infecção era transmitida aos seres humanos.
A princípio, a única intenção de Li era avisar os colegas para que fossem cuidadosos, protegendo a si mesmos e seus entes queridos, mas algum dos membros do grupo divulgou a informação na internet, e a viralização do conteúdo de alerta sobre a nova doença se espalhou depressa.
Quatro dias depois, ele recebeu uma visita da polícia chinesa, sob acusação de “espalhar boatos”, atitude que na China pode ocasionar até sete anos de prisão. Sete outros médicos também receberam a mesma acusação. Li teve que ir à delegacia e assinou um comunicado admitindo sua “culpa” e prometendo não reincidir, antes de ter o direito de voltar para casa.
Após o ocorrido, Li atendeu uma paciente com glaucoma, sem saber que ela estava infectada pela nova doença, no dia 8 de janeiro de 2020. Dois dias depois ele passou mal com sintomas de Covid-19: dor de garganta, tosse seca, febre, falta de ar, necessitando de hospitalização após dois dias doente, e seguiu piorando até seu diagnóstico, em 1º de fevereiro.
“Hoje o teste de ácido nucleico chegou com um resultado positivo. O dado é lançado, finalmente diagnosticado”, ele escreveu em sua conta do Weibo. Seu caso enfureceu a população, que já estava vivenciando o bloqueio de Wuhan e outras quinze cidades em Hubei, a província mais afetada pela epidemia, com críticas duríssimas às autoridades.
Inicialmente desacreditado e repreendido, o médico passou seus últimos dias no Hospital de Wuhan, debilitado mas recebendo e respondendo mensagens de apoio. Ao fim de tudo, Li morreu como um herói que avisou o mundo sobre a nova ameaça que tirou sua vida.
As primeiras notícias sobre a morte de Li Wenliang causaram uma confusão na China durante a tarde, com manifestações de raiva e pesar por parte da população na internet. O Hospital de Wuhan afirmou que a vítima sofrera uma parada cardíaca, mas ainda estava vivo, conectado a uma máquina de ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea), sistema que joga ar nos pulmões enquanto bombeia sangue pelo sistema circulatório do paciente.
Sua morte só foi confirmada por volta das 17h do dia 7 de fevereiro de 2020 às 2h58, o que equivale às 1h58 de 6 de fevereiro no horário de Brasília. “Li Wenliang, oftalmologista do nosso hospital, infelizmente infectado na luta contra a epidemia do novo coronavírus, (...) morreu às 2h58 de 7 de fevereiro de 2020. Lamentamos profundamente", diz um trecho da nota oficial do hospital, publicada na rede social Weibo.
Diferentemente do perfil da maior parte das vítimas fatais da Covid-19, Li Wenliang era saudável e um adulto jovem, de apenas 34 anos. Ele era casado e, além da esposa que ficou viúva com sua partida precoce, deixou dois filhos órfãos - um já nascido e outro que ainda estava a caminho.