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Cuba fabrica o próprio material médico contra a Covid

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Respiradores, swabs e reagentes para testes de PCR: Cuba teve que fabricar seu próprio material para enfrentar o coronavírus, contornar o embargo norte-americano e "economizar milhões de dólares" em importações, explicaram cientistas da ilha nesta quarta-feira (31). "A soberania tecnológica é extremamente importante na luta contra a Covid", disse José Luis Fernández Yero, diretor do centro cubano de exames imunológicos. O embargo norte-americano, estabelecido em 1962, que visa produzir uma mudança de regime em Cuba, permite desde 1992 o envio de remédios e suprimentos médicos para a ilha, desde que seja para o benefício exclusivo da população. Na realidade, os bancos e outros intermediários relutam em acompanhar essas operações, mesmo de países que não os Estados Unidos, por medo das sanções americanas. %u201CHá mais de 25 anos, Cuba trabalha no desenvolvimento de equipamentos médicos%u201D, disse Fernández. Mas, diante de uma nova doença, surgiram novas necessidades. Para os testes de PCR, Cuba também fabricou %u201Cos swabs que servem para coletar a amostra, o que a instituição não fazia em absoluto antes do início da covid, que o país tinha que importar grandes quantidades%u201D. Cuba também teve que criar a "solução usada para transportar a amostra" e um "reagente" para determinar se é positiva ou negativa. O objetivo era %u201Calcançar a soberania tecnológica desde a coleta da amostra até a interpretação final dos resultados%u201D, afirmou. Cientistas cubanos também projetaram quatro modelos de respiradores artificiais. Graças a esse esforço, %u201Cnosso país está economizando e muitos milhões de dólares ainda serão economizados%u201D nas importações, acrescentou Eduardo Martínez, presidente do grupo farmacêutico estatal BioCubaFarma. O país, que fez da saúde e da educação os pilares de seu sistema socialista, tem duas vacinas candidatas, Soberana 2 e Abdala, na terceira e última fase de testes clínicos, antes de serem aprovadas. Nesta quarta-feira, a primeira das duas doses de Soberana 2 foi distribuída para 44.000 voluntários em Havana. %u201CNo mês de junho, (espera-se) poder ter os resultados da eficácia da vacina, que esperamos que seja alta%u201D, indicou Martínez, porque %u201Cum percentual muito alto de pacientes%u201D vacinados na fase 2 desenvolveram anticorpos contra a doença. As autoridades, que planejam iniciar a campanha de vacinação em junho, pretendem imunizar toda a população ainda este ano. Cuba enfrenta atualmente a terceira onda da pandemia, mas continua sendo uma das nações menos afetadas do continente americano, com 75.263 casos de contágio e 424 mortes em uma população de 11,2 milhões de habitantes.