A economia de Fernando de Noronha é, basicamente, voltada para o turismo, setor que vem sendo bastante afetado pela pandemia do coronavírus - as perdas foram de R$ 3 bilhões em Pernambuco até junho, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Apesar de ter a permissão para funcionar internamente, a falta de turistas na ilha pernambucana tem dificultado a manutenção das atividades econômicas, principalmente por conta dos altos custos no arquipélago. Ainda sem previsão para a retomada do turismo em Noronha, os restaurantes locais buscam alternativas para manter o sustento e trazer os sabores da ilha para o continente tem sido uma delas.
As dificuldades em relação ao turismo em Noronha é que os turistas não moram na ilha e a retomada ainda está sendo estudada. "Eles são de outros estados brasileiros onde a pandemia ainda é um problema. Se abrir sem cuidados, corre o risco de um novo surto na ilha e, com as dificuldades geográficas, estaríamos colocando as vidas dos ilhéus em risco. Ao mesmo, a gente compreende que Noronha vive do turismo e isso é uma situação difícil. Então estamos discutindo como reabrir com segurança, limitando a quantidade de turistas, criando protocolos bem rígidos para até setembro ter essa previsão de reabertura. Mas com todas as cautelas e de forma gradual", afirma Rodrigo Novaes secretário de Turismo de Pernambuco.
Depois de quatro meses sem atividades e sem expectativa da retomada do turismo no arquipélago, Soraia Ulisses, sócia do restaurante Varanda Noronha, resolveu investir em um delivery dos pratos no Recife. Para isso, precisou estudar do zero, já que não havia trabalhado com entregas, e investir R$ 25 mil na estrutura. "Comecei as pesquisas em junho porque não via as coisas avançarem e em julho começamos o delivery. Funcionamos de quinta a domingo, escolhemos esse período porque o Varanda não tem o perfil de prato executivo, é uma experiência mais família", explica a sócia. O resultado tem sido positivo. "Os preços aqui são mais baixos do que em Noronha porque foram calculados com os custos daqui. E está fluindo. Não tem como comparar o movimento da ilha porque lá abrimos de domingo a domingo. Mas o crescimento tem sido entre 10% e 20% de semana a semana e o melhor dia é domingo, quando vendemos o dobro", diz.
Quem também está se preparando para seguir o mesmo caminho é Marina Erthal, sócia do Bio Bistrô Noronha. Ela trouxe os equipamentos para não precisar investir em uma estrutura no continente. "O turismo fechado inviabiliza os negócios na ilha, passei um mês fazendo delivery lá e não compensou. Então estamos fazendo os testes para trazer o Bio Bistrô para o Recife, o que deve acontecer até o próximo dia 25. Estamos adaptando o cardápio e preços e, à princípio, teremos opções de lanches doces e salgados e sobremesas. Dependendo da demanda, incluiremos as refeições. Todos nossos pratos são veganos e sem glúten e, mesmo com nossos insumos sendo todos naturais e orgânicos, aqui a gente vai conseguir valores mais atrativos", pontua.