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Na contramão da crise, mercado de festas cresce a partir do papel

Com o incentivo de Marcelly, que sempre viu o interesse e a facilidade da mãe em produzir artigos para festas, além de ter percebido o desânimo de Maria do Socorro com o exercício da atual profissão (de professora), as duas decidiram se arriscar e, enfim, adentrar em um mercado que sempre pede por inovação.
As sócias da FT Personalizados começaram oferecendo os serviços apenas para pessoas conhecidas e, criando um portfólio, investiram no marketing dentro das redes sociais, incluindo Facebook e Instagram. Atualmente, a conta do Instagram já possui 12,8 mil seguidores. Segundo Marcelly, o empreendimento alcançou uma proporção que ela não imaginava e, agora, com uma demanda elevada, ela (que atuava como fisioterapeuta), teve que se dedicar exclusivamente ao negócio, por ser muito mais lucrativo.
Na contramão da crise econômica do país, empreendimentos como o da FT Personalizados têm sido uma alternativa. O mercado de festas ainda se mantém pulsante. É o que afirmam os dados da Associação Brasileira de Empresas e Eventos (ABEOC): o segmento tem crescido, em média, 14% ao ano. Outros dados revelam uma movimentação de R$ 17 bilhões em cerimônias e festas, segundo levantamento da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta) realizado em 2017.
Se os brasileiros continuam a festejar mesmo em uma época marcada pela recessão econômica, o cenário parece ser atrativo para quem busca oportunidades de investir nesse nicho.
usados em festas.
O empreendedor Araújo conta que investiu no mercado de festas porque “em uma crise, se existe um setor que consegue se manter estável, esse mercado já se mostra como uma boa aposta em relação aos outros”. Com o objetivo de dar mais força ao seu negócio, sem se limitar ao público que já conhecia, as redes sociais foram incorporadas ao seu empreendimento. Para ele, ao atravessar fronteiras físicas, é possível obter um alcance muito maior do público consumidor, já que muita gente que não conhecia, pela distância, passa a conhecer.
Pensando nas demandas de um mercado completamente imerso ao mundo digital, as empresas têm tido a necessidade de se inserir nas redes sociais enquanto comércio. Apostar no engajamento virtual é uma alternativa cada vez mais usada para expandir o público consumidor. Desde as grandes empresas até os pequenos empreendimentos locais, as redes sociais se transformaram em uma ferramenta de marketing que não pode ser mais ignorada. Os donos de empreendimento tem
entendido isso. Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, segundo a própria rede, o Instagram é uma das preferidas enquanto possibilidade de fazer negócios, sendo uma espécie de vitrine virtual da produção.
Ainda no mundo da papelaria, Érica Wanderley, 32, começou o seu negócio a partir da necessidade, enquanto mãe, de organizar as festas do seu filho. Também insatisfeita com o seu ofício da época, funcionária pública, e com o que o próprio mercado de festas poderia oferecer a ela na época, há seis anos, começou a desenvolver peças personalizadas para o uso pessoal. “Com o passar do tempo, os amigos começaram a solicitar que eu fizesse a festa dos seus filhos e, a partir disso,me dei conta que essa era a oportunidade de renda que estava buscando: fazer o que gostava, trabalhando em casa e acompanhando o crescimento dos meus filhos”, explica a empreendedora.
O negócio de Érica, LC Papelaria Criativa, mais focado em festas infantis, produz desde caixas personalizadas, papelaria de parede, rótulos, tags 3D, cartões, convites, tiaras e até topos de bolo. Seu lema é: “Tudo que envolver festa e papel, nós fazemos”. A maior motivação e, ao mesmo tempo, inspiração para tocar seu negócio, são os clientes mirins. Ela diz que eles sempre desejam itens diferentes (mais uma vez, um mercado que demanda criatividade), o que aumenta a vontade de continuar na área, mesmo sabendo da grande concorrência que existe no ramo de festa infantil, já que é um dos nichos que ainda permanece próspero.
Apesar de ser adepta do “boca a boca” como uma forma concreta de conquistar novos clientes, Érica reconhece que as redes sociais têm um lado positivo. O cliente tem a oportunidade de navegar pelos trabalhos postados, aumentando, assim, a probabilidade de realizar um pedido ainda maior do que tinha planejado anteriormente. No fim das contas, são eles quem divulgam a empresa com os seus contatos, compartilhando as redes sociais e atraindo possíveis novos clientes.
Em tempos difíceis, Maria do Socorro, Marcelly, Severino e Érica não perdem tempo e procuram adaptar seus negócios às demandas do mercado e do próprio meio digital. O empreendedorismo e a papelaria têm se unido para percorrer uma rota alternativa ao cenário econômico atual e se manter firme na esteira do mercado de festas, um nicho extremamente promissor.