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Estudo pede melhorias em materiais educativos contra DST/Aids

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As mensagens contidas nos Materiais Educativos Impressos (MEIs) utilizados nas campanhas para Promoção da Saúde no Brasil, em destaque os que buscam a socialização de conhecimentos para prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, são concebidos de forma satisfatória segundo a configuração dos elementos gráficos e textuais, embora alguns ainda apresentem dubiedades pictóricas que podem influir sobre a percepção das pessoas.

As ilustrações assumem um importante papel nesses conteúdos, tal como a representação de ações factíveis da realidade e as relações de gênero que contemplam diversos segmentos populacionais, mas quando projetadas sem o devido planejamento, podem não causar o efeito desejado pelos órgãos competentes. Esse foi um dos resultados obtidos pela dissertação de Ranielder Fábio de Freitas, intitulado “Prevenção às DST/Aids: design e o processo de comunicação em meios impressos”, defendida em 2013, no Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal de Pernambuco.

Orientada pelo professor Hans de Nóbrega Waechter, o estudo teve como objetivo principal mostrar a eficácia e a eficiência do uso de elementos gráficos e textuais em impressos para prevenção das DST/Aids, por meio dos princípios do Design da Informação, e saber se, consequentemente, as mensagens contidas nesses meios instigavam as práticas de comportamentos saudáveis e aquisição de conhecimentos preventivos quanto às doenças.

De acordo com Ranielder de Freitas, em termos gerais, o aspecto semântico dos elementos (relacionados às interpretações e significados) sofria influência de sua representação sintática (como cores, texturas, organização espacial, configuração de fonte etc). Em algumas situações, foi observado que as imagens apareciam mais como complemento estético, sem possuir nenhuma carga informacional justificada. Outras vezes, os pictogramas (representações simplificadas de ações ou situações) deixaram os leitores confusos em relação às práticas de prevenção às DST/Aids. Ainda, segundo o autor da dissertação, a utilização de textos mostrou-se mais eficiente e com um menor índice de dubiedades cognitivas do que o uso de imagens e esquemas gráficos. As ilustrações mostraram-se eficazes no sentido de preencher uma função comunicativa e associação simbólica entre os repertórios cognitivo dos receptores da informação do estudo.

Para o pesquisador, no que diz respeito aos conteúdos informacionais, os MEIs conseguiram alcançar seus objetivos, considerando as observações citadas. No entanto, destaca ele, faz-se necessário a realização de alguns desdobramentos para entender como se dá a relação dessas informações com pessoas de outras escolaridades, assim como contribuições do Design da Informação para elaboração desses materiais.

ENTREVISTAS - Para analisar a eficácia dos MEIs, o pesquisador realizou um mapeamento de 18 impressos de prevenção às DST/Aids produzidos pelo Ministério de Saúde e pela Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, aplicando também uma entrevista com os respectivos órgãos, incluindo a Secretaria Municipal de Saúde de Recife, para entender como se dá a dimensão de elaboração dos impressos e a construção das mensagens. Após essa primeira etapa, foi formado um grupo piloto com oito estudantes da UFPE, para a adequação dos instrumentos, e, posteriormente, foram realizadas entrevistas com 24 estudantes, entre 18 e 24 anos, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ressalta-se que o estudo não teve como característica a representação geral da população participante, mas indicativos norteadores.

A etapa seguinte foi realizada para compreender a percepção dos receptores em relação às mensagens contidas nos MEIs, considerando o conteúdo, apelo à ação e identidade cultural, ilustração, formato e apresentação, contextualização da produção do impresso, questões éticas e linguagem utilizada. O estudo passou pela validação do Comitê de Ética e Pesquisa da UFPE. Já na última etapa, após a análise das entrevistas, foram relacionados os efeitos que as mensagens causavam nos receptores da informação com o referencial teórico da pesquisa.

Nas entrevistas com os estudantes, Ranielder de Freitas notou certo equilíbrio na preferência dos receptores pelos conteúdos bem planejados do ponto de vista do Design da Informação. Ou seja, a maioria dos receptores preferiram os MEIs que possuíssem textos informacionais que se complementassem com as ilustrações e vice-versa.

Segundo o pesquisador, o estudou buscou fazer um levantamento das questões comunicacionais dos MEIs pelos dois polos do processo comunicacional, ou seja, de acordo com quem os elaboraos impressos e de quem recebe as informações contidas neles. “A partir dos resultados, espera-se uma contribuição para otimização da configuração sintática (elementos visuais) e semântica (elementos cognitivos) das mensagens contidas nesses impressos para melhor assimilação das mensagens pela população”, comentou ele, sobre a dissertação.

Da UFPE