Brasil

Janeiro mortal: centenas de brasileiros perderam a vida no primeiro mês de 2018

Conflitos com vítimas dentro e fora dos presídios, acidentes violentos nas estradas e febre amarela fizeram do mês um dos com maior índice de mortalidade

Na BR-251, batida entre caminhão e micro-ônibus tirou a vida de 13 pessoas. Foto: Corpo de Bombeiros / Divulgação

Se na virada do ano as estradas federais abriram 2018 com a triste estatística de 987 acidentes, que deixaram 67 mortos e 1.008 feridos entre os dias 29 de dezembro e 2 de janeiro, em todo o país, o acidente mais grave do mês, ocorreu na cidade de Grão Mogol, no Norte de Minas, na BR-251, onde, em 13 de janeiro, treze pessoas morreram e 39 ficaram feridas quando um caminhão que transportava outra carreta no sentido de Montes Claros invadiu a contramão provocando a carnificina: colidiu com dois micro-ônibus, uma van e um outro caminhão. Nas estradas estaduais país afora, tampouco houve alento. O saldo mais dramático se verificou em 28 de janeiro, no Tocantins, quando a falha nos freios de um ônibus que transitava na TO-O40, nas proximidades do município de Dianópolis, provocou um capotamento e deixou um rastro de sete mortes e 20 feridos.

Com mais de 100 mortes no país, surto de febre amarela lota postos de saúde. Foto: Rodrigo Nunes/MS

A crise de um sistema prisional superlotado, que registra em média dois presos por vaga segundo os dados mais recentes, de 2016, do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) do Ministério da Justiça – voltou a gritar para o mundo. O Brasil, que tem a terceira maior população carcerária do mundo – são 726.712 encarcerados só perde para os Estados Unidos e a China – 40% dos quais ainda não sentenciados, assistiu chocado a mais uma carnificina que fechou o primeiro mês do ano. Na Cadeia Pública de Itapagé, no Norte do Ceará, a guerra entre facções criminosas matou 10 detentos em 29 de janeiro, dois dias depois da chacina no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza, quando 14 pessoas foram mortas no ataque de um grupo criminoso a uma casa de shows.

Só no Ceará, ao longo de janeiro, foram 469 mortes violentas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, o que constitui a mais alta frequência registrada, desde 2013, quando o governo estadual passou a consolidar a estatística. No Acre, este também foi o janeiro mais violento da história, com 47 homicídios, dos quais, 29 com armas de fogo. Ainda sem dados informados na maior parte dos estados, a sucessão das tragédias saltam das mídias e redes sociais.

 

[SAIBAMAIS]

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