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Os acertos de Márcio Goiano: de interino à consolidação no comando do Sport

Trabalho do treinador recuperou rendimento individual de atletas e consolidou identidade coletiva do Leão

Por Gabriel Farias

Márcio Goiano, técnico do Sport

“A gente vai tomando gosto”. A frase dita por Márcio Goiano ainda nos tempos de interino, quando questionado sobre a possibilidade de assumir o Sport em definitivo, hoje parece resumir bem o momento vivido pelo treinador no comando rubro-negro.

Contratado inicialmente para ser auxiliar técnico fixo do clube, o profissional ganhou espaço internamente, assumiu a equipe em meio à reformulação da temporada e, jogo após jogo, consolidou-se como o principal nome da reconstrução técnica do Leão em 2026.

No total, são 13 partidas à frente do Sport, com nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, justamente utilizando uma equipe alternativa diante do Fortaleza, pela Copa do Nordeste. Sob seu comando, o Leão lidera a Série B com 16 pontos, segue invicto na competição e apresenta uma equipe cada vez mais reconhecível dentro de campo.

Os números ajudam a explicar o cenário. Márcio Goiano possui atualmente o segundo melhor aproveitamento (76,92%) entre todos os técnicos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, atrás apenas de Leonardo Jardim, do Flamengo.

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Da interinidade à efetivação

A efetivação de Márcio aconteceu de maneira gradual, muito ligada ao comportamento do time e à resposta do elenco no dia a dia. Em entrevista ao programa Leo Medrado & Traíras, o presidente do Sport, Matheus Souto Maior, explicou como o clube passou a enxergar o treinador além da condição de interino.

“Foi tendo um jogo, tendo outro, e a postura do Márcio altamente profissional. E você começando a ganhar, parando para observar o trabalho e vendo que estava funcionando, entendendo a dinâmica com o elenco, percebendo que aquilo dava resultado”, afirmou o dirigente.

A confiança construída internamente acabou refletindo também no ambiente externo. O que inicialmente parecia uma solução emergencial virou um trabalho consolidado em pouco tempo, sustentado principalmente pelo desempenho da equipe e pela evolução coletiva apresentada em campo.

Mais equilíbrio e identidade

Mais do que os resultados, o Sport passou a apresentar características que antes não conseguia sustentar ao longo da temporada. Márcio Goiano ajustou o sistema defensivo, deu cara o meio-campo e extraiu efetividade ao ataque. O time passou a sofrer menos defensivamente, ganhou estabilidade entre os setores e construiu uma identidade mais clara de jogo.

A leitura das partidas também virou um dos pontos positivos do treinador. Diferentemente do período sob comando de Roger Silva, o Sport atual demonstra mais controle emocional e tático durante os jogos, além de uma equipe-base cada vez mais definida.

Mesmo sem um elenco considerado fechado ou pronto, o Leão já apresenta uma formação reconhecível e ainda com margem evidente de crescimento.

 

Evolução coletiva em campo

A vitória diante da Ponte Preta, em Campinas, exemplificou bem esse processo. Em um confronto historicamente complicado para o clube pernambucano, o Sport demonstrou maturidade competitiva, controle da partida em diferentes momentos e conseguiu construir jogadas trabalhadas ofensivamente.

O gol marcado por Felipinho simbolizou justamente essa evolução coletiva, em uma jogada construída com aproximação, movimentação e leitura dos espaços.

Além da parte tática, Márcio também conseguiu recuperar rendimento individual de atletas e criar um ambiente de competitividade dentro do elenco. O time passou a competir em alto nível tanto na Série B quanto na Copa do Nordeste.

Ainda é cedo para projeções definitivas em uma temporada longa, principalmente em uma Série B marcada pelo equilíbrio. Mas o Sport de Márcio Goiano já começa a construir uma identidade.