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Maternidade e basquete: Luciellen Bach Auer vive nova rotina no Sport/Uninassau

Atleta concilia amamentação, treinos e cuidados com o filho Lucas, de quatro meses

Por Diario de Pernambuco

Luciellen Bach Auer, jogadora de basquete do Sport/Uninassau

A rotina de Luciellen Bach Auer começa muito antes da bola subir. Antes do uniforme, existem mamadeiras, noites mal dormidas, amamentação exclusiva e uma logística diária para conseguir sair de casa e chegar ao treino.

Aos 40 anos, a atleta do Sport/Uninassau vive a missão mais intensa da vida: equilibrar a maternidade recente com a disputa da Liga de Basquete Feminino (LBF).

Mãe do pequeno Lucas, de apenas quatro meses, ela precisou reaprender a viver, treinar e competir em meio a uma realidade completamente diferente daquela que construiu ao longo de mais de duas décadas dentro do esporte.

Natural de Ponta Grossa, no Paraná, Luciellen começou no basquete há cerca de 25 anos, depois de ganhar uma bolsa de estudos em um colégio da cidade. Desde então, nunca mais deixou as quadras. Depois de defender seleções paranaenses, conquistar títulos regionais e construir uma longa trajetória no esporte, reencontrou no basquete pernambucano a oportunidade de voltar a competir em alto nível.

Em 2016, ao chegar ao Recife, retomou aos poucos a rotina competitiva até vestir a camisa do Sport/Uninassau. “Hoje eu jogo por paixão. Não se trata de profissão, e sim de entrega diária por algo que eu tanto amo”, afirma.

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A maternidade, porém, mudou completamente a forma como ela vive o esporte. Lucas foi um filho planejado, gerado depois de duas perdas gestacionais, o que tornou a gravidez ainda mais simbólica para a atleta. Mesmo grávida, Luciellen continuou treinando e chegou a conquistar o título do Norte-Nordeste de 2025 defendendo o Sport/Uninassau ainda nos primeiros meses de gestação. Ela seguiu em atividade até o quarto mês e permaneceu na academia até perto do parto.

“A maternidade trouxe um novo sentido para tudo. Hoje cada treino, cada jogo e cada conquista têm um propósito maior”, conta.

Quatro meses após o nascimento de Lucas, a rotina da pivô rubro-negra passou a depender de planejamento, rede de apoio e resistência emocional. Luciellen não consegue participar de todos os treinamentos e também não viaja com a equipe para os jogos fora do Recife. Enquanto o elenco embarca para partidas longe de casa, ela permanece ao lado do filho, vivendo uma divisão constante entre a atleta e a mãe.

“Todo atleta quer estar presente em todos os momentos importantes do time. Dá saudade das quadras, da rotina e de ajudar ainda mais minhas companheiras. Mas hoje minhas prioridades mudaram, e eu tento enxergar tudo com equilíbrio”, explica.

A parte mais difícil, segundo ela, está longe de aparecer nas estatísticas das partidas. O desgaste físico provocado pela privação de sono, a rotina intensa de cuidados com Lucas e o peso emocional de tentar equilibrar tantas responsabilidades ao mesmo tempo fazem parte de uma batalha silenciosa enfrentada diariamente.

“Existe o lado físico do cansaço, as noites mal dormidas, a rotina intensa de treinos e jogos, mas também existe o lado emocional de ficar longe do meu bebê em alguns momentos. Às vezes parece que estou tentando equilibrar dois mundos muito intensos”, relata.

Para conseguir continuar jogando, Luciellen conta com uma rede de apoio fundamental. A madrinha de Lucas, Micheline Gomes, tornou-se peça indispensável para que a atleta pudesse seguir treinando e entrando em quadra. “Sem ela, nada disso seria possível. Desde a gestação, ela esteve ao meu lado me ensinando, apoiando e ajudando em tudo. O que ela faz por mim e pelo Lucas eu nunca vou esquecer”, diz.

O acolhimento das companheiras de equipe e da comissão técnica também ajuda a tornar a adaptação menos pesada em meio aos desafios da maternidade no esporte de alto rendimento. Além disso, Luciellen destaca a compreensão e o apoio recebidos do Sport/Uninassau durante toda a gestação e também após o nascimento de Lucas.

Segundo ela, o clube tem sido fundamental para que consiga equilibrar a carreira esportiva e a maternidade, oferecendo suporte para que possa ter o melhor desempenho dentro das quadras, mas principalmente em casa, cuidando do filho.

Mesmo tentando viver um dia de cada vez, Luciellen admite que já sentiu medo de não conseguir conciliar tudo. A cobrança, segundo ela, muitas vezes é silenciosa, mas constante.

“Como mãe atleta, às vezes sinto que preciso mostrar que ainda sou capaz de competir em alto nível mesmo vivendo todos os desafios da maternidade. Tenho aprendido a ser mais leve comigo mesma e entender que não preciso ser perfeita o tempo todo”, afirma.

Para ela, o esporte ainda precisa evoluir muito para acolher mães atletas de maneira mais humana, com suporte adequado para viagens, espaços para os bebês e compreensão sobre as mudanças físicas e emocionais que fazem parte da maternidade.

Luciellen acredita que compartilhar a própria história também pode ajudar outras mulheres que vivem o medo de precisar escolher entre os sonhos profissionais e a maternidade. “Se a minha trajetória puder mostrar que, mesmo com dificuldades, é possível continuar lutando pela carreira sem deixar de viver a maternidade, isso já me deixa muito feliz”, diz.

No meio da exaustão, dos treinos, das ausências e dos desafios diários, Lucas se tornou a maior motivação da atleta. É nele que Luciellen encontra força para continuar competindo e carregando a própria história dentro das quadras.

“Quero que ele cresça vendo a força da mãe dele, entendendo que mesmo com dificuldades é possível continuar lutando pelos nossos sonhos. Espero que ele sinta orgulho da mulher, da mãe e da atleta que eu tentei ser todos os dias.”

No Dia das Mães, a história da atleta do Sport/Uninassau ultrapassa o basquete e encontra identificação na vida de milhares de mulheres que também tentam equilibrar trabalho, sonhos, família e maternidade sem abrir mão de quem são.