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Atual gestão do Sport herda passivo recorde de 2025 e aposta em plano de reorganização

Administração de Matheus Souto Maior encara déficit de R$ 112,4 milhões no balanço financeiro da temporada anterior

Por Diario de Pernambuco

Ilha do Retiro, estádio do Sport

O Sport iniciou 2026 sob nova direção e com um cenário de reconstrução após os números críticos do balanço de 2025. Eleito em dezembro, o presidente Matheus Souto Maior conduz os primeiros meses de gestão com foco na reorganização financeira, administrativa e esportiva do clube, tendo como base o diagnóstico deixado pela administração anterior, de Yuri Romão.

O exercício passado ficou marcado por déficit de R$ 112,5 milhões, passivo recorde superior a R$ 422 milhões e caixa reduzido. A atual administração, via Demonstração Financeira divulgada no Portal da Transparência do clube, reconhece que o crescimento de receitas não foi acompanhado por controle de despesas, o que comprometeu o equilíbrio financeiro e ampliou o endividamento.

 

 

Diagnóstico e primeiras medidas

A leitura do clube é de que 2025 deixou um passivo estrutural elevado, com obrigações trabalhistas, fiscais, cíveis e desportivas impactando diretamente o fluxo de caixa e a capacidade de investimento. A partir disso, a nova gestão passou a priorizar a reorganização financeira, com foco na regularização progressiva dessas pendências e na implementação de maior controle orçamentário.

Entre as primeiras ações estão a revisão de processos internos, o fortalecimento dos mecanismos de governança e a contratação de executivos para áreas estratégicas. O objetivo é estabelecer uma estrutura mais profissional e reduzir a dependência de decisões pontuais de gestão.

Controle, riscos e reestruturação

Internamente, o clube também passou a tratar a gestão de riscos como eixo central. O fluxo de caixa restrito, o volume de obrigações e a falta de padronização em processos foram identificados como pontos críticos. Como resposta, a administração trabalha na implantação de políticas de controle, integração entre futebol e finanças e monitoramento contínuo das áreas jurídica, contábil e administrativa.

No planejamento para 2026, as prioridades passam pelo cumprimento do plano de recuperação judicial, busca de equilíbrio entre receitas e despesas, regularização fiscal e maior disciplina na execução orçamentária. Conter a geração de novos passivos enquanto o clube lida com dívidas acumuladas.

Momento dentro de campo

No primeiro semestre de 2026, dentro de campo, o Sport conquistou o tetracampeonato pernambucano, avançou até a quarta fase da Copa do Brasil, está nas quartas de final da Copa do Nordeste e segue na briga pelo acesso na Série B do Campeonato Brasileiro.

Contratado ainda em dezembro de 2025, o técnico Roger Silva sagrou-se campeão estadual e durou três meses no cargo até ser demitido, dando lugar ao interino Márcio Goiano, efetivado posteriormente como atual comandante da equipe.

Novo modelo e visão de longo prazo

Com o novo estatuto aprovado, o Sport projeta, a partir de 2027, a implementação de um modelo com Conselho de Administração, CEO e diretorias profissionais. A ideia é dar mais previsibilidade à gestão e fortalecer a governança.

Outro ponto estratégico é o investimento nas categorias de base, visto como principal ativo de médio e longo prazo. A formação de atletas surge como alternativa para reduzir custos com contratações e, ao mesmo tempo, gerar receitas futuras.

Além disso, o clube enxerga o futebol feminino como uma frente de crescimento institucional, com potencial esportivo e de fortalecimento de marca.