Balanço financeiro do Sport em 2025 registra déficit recorde de R$ 112,4 milhões
Clube fechou o ano com apenas R$ 2,3 milhões em caixa, apesar da projeção de receita recorde
O Sport publicou, nesta quinta-feira (30), em um dos jornais da cidade, o balanço financeiro de 2025. Mesmo com a maior receita da sua história, o Leão fechou o exercício com déficit de R$ 112,4 milhões - resultado 6,8 vezes superior ao prejuízo de R$ 16,5 milhões registrado em 2024.
O cenário, referente à gestão do ex-presidente Yuri Romão, combina aumento expressivo de despesas, crescimento do endividamento e queda acentuada no caixa, em um ano também marcado por desempenho esportivo abaixo do esperado.
Receitas e despesas operacionais
A arrecadação total chegou a R$ 182,7 milhões, com receita operacional líquida de R$ 174,1 milhões, impulsionada principalmente por direitos de transmissão, premiações e receitas comerciais. Ainda assim, o crescimento de 88% na receita não foi suficiente para conter o avanço dos gastos. As despesas operacionais saltaram de R$ 96,2 milhões para R$ 167,3 milhões, praticamente consumindo toda a receita do clube. Entre os fatores apontados estão contratações acima da capacidade financeira, rescisões com impacto relevante, antecipação de receitas e falhas no controle orçamentário, além da troca de gestão.
Caixa do clube
O custo total do clube atingiu R$ 272,7 milhões, com resultado financeiro negativo de R$ 22 milhões, sendo cerca de R$ 18 milhões apenas em juros. Mesmo assim, a dívida com empréstimos e mútuos cresceu, passando de R$ 7,8 milhões para R$ 17,6 milhões.
O passivo total também bateu novo patamar, saindo de R$ 345,7 milhões em 2024 para R$ 422,4 milhões em 2025, um aumento de R$ 76,7 milhões, puxado principalmente pelas obrigações de curto prazo, que chegaram a R$ 231 milhões.
Em levantamento feito pelo jornalista Cássio Zirpoli, outro dado que chama atenção é a virada no patrimônio líquido, que passou de positivo em R$ 82,3 milhões para negativo em R$ 21,7 milhões. Na prática, isso indica que, mesmo com a venda de todos os ativos, o clube ainda não conseguiria quitar integralmente suas dívidas.
O caixa também encolheu de forma significativa. O Sport encerrou o ano com R$ 2,3 milhões disponíveis, contra R$ 31 milhões no exercício anterior, uma redução de R$ 28,6 milhões.
Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão.
Impacto esportivo
O contexto esportivo ajuda a explicar parte do cenário. Em 2025, o clube foi rebaixado de forma antecipada na Série A, terminando na última colocação com apenas 17 pontos, duas vitórias e quatro trocas no comando técnico ao longo da competição. Fora o Campeonato Brasileiro, caiu na primeira fase da Copa do Brasil e avançou apenas às quartas de final da Copa do Nordeste.
O período também foi marcado por altos investimentos no elenco, incluindo algumas das maiores contratações da história do clube, e rescisões contratuais que ainda geram impactos financeiros, inclusive com casos na Justiça.
Mensagem da administração
No próprio balanço, a atual administração, do presidente Matheus Souto Maior, reconhece a gravidade do cenário e detalha os fatores que levaram ao resultado. Segundo o relatório, “o exercício de 2025 representou um dos períodos mais adversos da história recente do Sport Club do Recife”, destacando que o prejuízo de R$ 112,4 milhões ocorreu “a despeito de ter mais que dobrado sua receita bruta”.
O documento aponta que o crescimento da arrecadação não foi acompanhado por disciplina na gestão de custos, o que resultou em deterioração do patrimônio e da posição de caixa. A gestão anterior é citada por práticas como antecipação de receitas futuras, contratações em patamares incompatíveis com a realidade financeira, rescisões com impacto relevante e comprometimento do fluxo de caixa sem planejamento orçamentário.
O texto também menciona a renúncia do então presidente ao longo do exercício e a posse da atual administração em 19 de dezembro de 2025, em um cenário descrito como de “elevada fragilidade”, com caixa praticamente esgotado (cerca de R$ 47 mil em conta), além de passivos trabalhistas, fiscais e desportivos acumulados.
Por fim, o relatório afirma que a nova gestão assume o compromisso de transparência e reestruturação, com o objetivo de reorganizar as bases financeiras do clube diante do cenário herdado.