Beto Lago: "O fim a Era Roger Silva no Sport"
Roger foi demitido do Sport após 12 jogos à frente do clube
Fim da Era Roger
Estava tudo pronto para uma análise da última coletiva. Mas o “nível de excelência” citado por Roger Silva acabou sendo fatal, não para o desempenho do Sport, mas para a sua permanência no cargo. A queda não surpreende. É, na verdade, o desfecho natural de um trabalho que nunca conseguiu sair do campo das intenções. Internamente, a avaliação era de desgastes. Resultados irregulares, desempenho abaixo do esperado e, principalmente, a ausência de uma identidade clara pesaram na decisão. O Sport até empilhava números aceitáveis em alguns recortes, mas faltava o essencial: consistência, evolução e leitura de jogo. Era um time que pouco convencia e isso, no futebol, cobra seu preço. Para muitos, foi um trabalho que terminou sem, de fato, começar. Nunca ficou evidente qual era a ideia de jogo. O time variava mais por improviso do que por estratégia. Não havia uma espinha dorsal definida, nem uma base titular confiável. A cada rodada, uma nova tentativa. A cada jogo, uma nova dúvida. Contra o Cuiabá, o retrato final: um adversário acessível e escolhas difíceis de explicar. A opção por colocar três garotos da base, deixando de lado atletas mais rodados, escancarou uma contradição entre discurso e prática. Faltou coragem para ser ousado quando o jogo pedia, e sobrou risco quando o cenário exigia segurança. Roger Silva foi, sim, um teste válido dentro de um contexto específico: início de gestão, necessidade de ajustes e um ambiente ainda em reconstrução. Mas o futebol é implacável com quem não apresenta respostas rápidas. Não haverá saudade. Nem nas arquibancadas, nem mesmo dentro do próprio elenco, que já demonstrava sinais claros de tensão com o comando. Agora, o Sport volta ao ponto que mais preocupa: a necessidade urgente de acertar. Não apenas um nome, mas uma direção. Porque mais do que trocar o treinador, o clube precisa, enfim, começar um trabalho de verdade.
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Copa do Nordeste
Com Márcio Goiano no comando, o Sport estreia na Copa do Nordeste contra o Jacuipense. E existe uma necessidade clara dos jogadores do Leão darem uma resposta dentro de campo. Pelo menos, com um futebol melhor. O Retrô também abre sua jornada, diante do Imperatriz, carregando o papel de surpresa. Tem a chance de mostrar competitividade, ambição e sinalizar que pode ir além na temporada, mirando uma Série D mais protagonista.
Limite ultrapassado
Também não dá para tratar com complacência a entrevista pós-jogo de Hélio dos Anjos. Quando recorre a frases como “a informação é do clube”, deixa escapar mais do que imagina: evidencia um poder que ultrapassa o limite do bom senso e flerta com a falta de responsabilidade da própria diretoria do Náutico em não assumir suas decisões.
Sem conexão
Mais grave ainda foi a leitura do jogo. Sair “convicto” de que o time está no caminho certo, após uma atuação tão pobre, não é otimismo de Hélio, mas desconexão com a realidade. E, no futebol, esse tipo de negação costuma cobrar caro, dentro e fora de campo.