Beto Lago: "Na Série B, o cenário se mostra desafiador desde a largada"
A 2ª divisão terá início no próximo sábado (21)
Pensar grande
A Série B que começa neste final de semana promete ser uma das mais implacáveis dos últimos anos. Não apenas pela qualidade crescente dos elencos rivais, mas pela mudança de fórmula que altera completamente a lógica da disputa. Agora, apenas os dois primeiros sobem de forma direta. Do terceiro ao sexto, restará a esperança e o risco de um playoff. Em outras palavras: não basta ser competitivo. Será preciso ser quase perfeito durante 38 rodadas. Para os clubes pernambucanos, o cenário é desafiador desde a largada. A nova fórmula da competição torna o campeonato ainda mais cruel. Antes, terminar em terceiro ou quarto era garantia de acesso. Agora, significa sobreviver a um mata-mata cheio de pressão. E, nesse tipo de confronto, qualquer detalhe muda uma temporada inteira. Por isso, Sport e Náutico precisam pensar grande desde o primeiro turno. Não existe mais espaço confortável no G4. O objetivo realista e estratégico é mirar os dois primeiros lugares. Caso contrário, o caminho para a Série A passará por uma porta muito mais estreita. E perigosa.
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Buscando regularidade
O Sport chega com o impulso do título estadual. Troféu sempre tem valor, mas existe uma diferença brutal entre dominar o ambiente local e sobreviver a uma Série B longa, física e impiedosa. O Brasileiro não perdoa desatenções nem oscilações prolongadas. Mesmo invicto, o Sport mostrou um futebol irregular, com dificuldade de criação e dependência de lampejos individuais. Em um torneio como a Segundona, a regularidade é extrema e isso cobra preço.
Calendário impiedoso
Há outro elemento que vai pesar: o calendário. A sequência pelas Copas é financeiramente tentadora e esportivamente sedutora. Mas cobra seu pedágio. Rodar elenco exige qualidade nas peças de reposição. O desgaste físico e a perda de intensidade costumam aparecem quando a Série B entra em sua fase mais decisiva. Se não houver gestão de elenco bem calibrada, o Sport corre o risco clássico de times que tentam abraçar tudo: ganhar caixa nas Copas e acabar deixando pontos preciosos pelo caminho na liga.
Procurando uma resposta
O Náutico vive um momento diferente. O Timbu inicia a Série B cercado por dúvidas que não foram respondidas dentro de campo. O elenco montado até agora tem competitividade, mas não necessariamente profundidade. Há uma base interessante, alguns jogadores experientes e um time que pode ser organizado taticamente. Mas a Série B exige mais do que organização: exige repertório, elenco e capacidade de reação na hora da crise.
Sem rótulo de favorito
Ser favorito ao acesso, neste momento, parece um rótulo otimista demais. O Náutico pode entrar na briga? Pode. Mas, para isso, ainda precisa qualificar o elenco com peças que aumentem o nível técnico do time. Principalmente do meio para frente, onde faltam jogadores capazes de decidir jogos travados, algo absolutamente comum nesta divisão.