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Beto Lago: "Um teste para a confiança e a afirmação do Sport na Ilha"

Nesta quinta-feira (12), o Sport enfrenta o Anápolis pela Copa do Brasil

Por Beto Lago

Time do Sport reunido em jogo contra o Náutico, na Ilha do Retiro

Teste de confiança
O Sport entra em campo para mais um duelo pela Copa do Brasil, diante do Anápolis, na Ilha do Retiro. Em jogo a vaga para a próxima fase e um prêmio de R$ 1,680 milhão, que faz diferença para quem tenta equilibrar competitividade e responsabilidade financeira. Avançar no torneio é importante para o caixa, mas também para sustentar o ambiente positivo em torno do trabalho de Roger Silva. Na terça-feira, escrevi aqui que o Sport atravessa um processo de construção. Não apenas de modelo de jogo, mas até de definição do chamado time titular. Há peças chegando, outras tentando se firmar, e um treinador que ainda busca o encaixe ideal. O título do Estadual, conquistado com autoridade na casa do rival, deu moral ao elenco e ao treinador. Foi uma conquista importante, sobretudo pelo peso simbólico da final. Mas o futebol brasileiro não permite zona de conforto. O que ontem foi festa, hoje já vira cobrança. E é exatamente esse o cenário da noite. Um tropeço dentro da Ilha, em jogo eliminatório, teria impacto imediato. E com estádio cheio, torcida mobilizada e estreia dos novos uniformes. O ambiente é de afirmação. O torcedor quer evolução, intensidade e um time que siga competitivo. Por isso, mais do que vencer, o Sport precisa convencer. Precisa mostrar que o título estadual não foi um ponto fora da curva, mas sim o início de um caminho. Uma eliminação não representaria apenas a perda de R$ 1,680 milhão. Reacenderia dúvidas sobre a consistência da equipe e sobre a capacidade do elenco para enfrentar o verdadeiro desafio da temporada: o Brasileiro da Série B. E no futebol, confiança é um ativo frágil. Demora a ser construída, mas pode se perder em apenas uma noite.

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Peso emocional
“O torcedor do Santa Cruz está cansado, machucado, esgotado.” A frase de um amigo parece simples, mas carrega um peso emocional enorme. Não fala só de futebol, mas de um estado de espírito coletivo. O tricolor está cansado porque vive há anos em estado de expectativa permanente. Sempre existe uma promessa de reconstrução, um novo projeto, um “agora vai”. Mas o tempo passa e os ciclos de frustração se repetem. E cansa esperar por essa virada.

Torcedor machucado
Existe também o torcedor machucado. Não é pela tristeza, mas por ser uma ferida acumulada. O torcedor coral lotou estádios, respondeu a chamados emergenciais e manteve o clube vivo em momentos dramáticos. A torcida é o último pilar de sustentação de um clube mergulhado em crises administrativas, políticas e esportivas. E quando a paixão vira rotina de decepções, o machucado aparece. Não é falta de amor. Pelo contrário. É justamente o amor que faz doer.

Realidade x frustração
Talvez a palavra mais forte da frase seja “esgotado”. O tricolor não está apenas triste com resultados. Está emocionalmente drenado. É o desgaste de anos vendo erros se repetirem: elencos frágeis, projetos interrompidos, promessas que não resistem ao primeiro tropeço. O futebol tem um componente irracional. O torcedor acredita mesmo quando não há motivo claro. Mas até a fé mais resistente sofre desgaste quando a realidade insiste em frustrá-la.