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Beto Lago: "Sport soube jogar uma decisão: tetracampeão e 46º título na galeria"

O Leão da Ilha venceu o Náutico por 3 a 0 no segundo jogo da final do Pernambucano

Por Beto Lago

Iury Castilho, atacante do Sport

46º
“Decisão não se joga, se ganha.” O Sport levou ao pé da letra um dos bordões mais repetidos do futebol. Com autoridade, personalidade e eficiência, venceu o Clube Náutico Capibaribe por 3x0, dentro dos Aflitos, conquistando o tetracampeonato estadual, o 46º título pernambucano de sua história. Tudo indicava um jogo nervoso. E como foi. Os dois times entraram em campo precisando vencer. A diferença é que o Sport soube exatamente como jogar a decisão. Com marcação alta, intensidade e concentração tática, o Leão não deixou o Náutico respirar em sua própria casa. O primeiro golpe veio cedo. Após falha da defesa alvirrubra, Iury Castilho aproveitou e abriu o placar. O gol desmontou o plano do Náutico, que passou a se mostrar perdido em campo, sem conseguir articular jogadas ou reagir emocionalmente. A situação ficou ainda mais complicada aos 39 minutos, quando Dodô foi expulso. Com um a mais, o Sport teve a frieza de quem entende o momento da partida. Pouco depois, Augusto Pucci ampliou após bela jogada de Barletta, praticamente desenhando o destino da final ainda no primeiro tempo. Na volta do intervalo, os movimentos dos treinadores deixaram claro o roteiro do jogo. Hélio dos Anjos fez três mudanças para tentar dar algum peso ofensivo ao Náutico. Do outro lado, Roger Silva tirou o amarelado Zé Gabriel e colocou Pedro Martins para garantir controle e segurança ao meio-campo. O Sport seguiu mais perto do terceiro do que o Náutico de qualquer reação. Gustavo Maia e Barletta ainda tiveram chances claras. Já o Timbu simplesmente não conseguiu produzir ofensivamente. Thiago Couto foi um espectador privilegiado da partida. Com inteligência, o Sport administrou o jogo até o fim. No último lance, em contra-ataque, pênalti. Iury Castilho cobrou e fechou o placar. Um título conquistado na casa do rival, com futebol maduro, aplicado e estrategicamente perfeito. Uma vitória que também consolida Roger Silva em um lugar especial na história rubro-negra: campeão como jogador e treinador, repetindo os feitos de Valentim Navamuel e Givanildo Oliveira. No fim das contas, uma final que reafirma uma verdade simples do futebol: decisão não se explica. Se ganha. E o Sport soube exatamente como fazer isso.

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Pedra cantada
A saída dos investidores da SAF do Santa Cruz não chega exatamente como surpresa. Nos bastidores do Arruda, essa possibilidade já era comentada há algum tempo. O grupo que conduzia o projeto pouco apareceu quando o futebol mais precisou: nas eliminações, na queda de rendimento e nas dificuldades financeiras do clube ao longo da temporada. Em um processo que prometia reconstrução e investimento pesado, a ausência dos investidores sempre soou como um sinal de alerta.

Discurso x realidade
No fim das contas, a troca de mãos oficializa uma sensação que já existia: o projeto ainda buscava quem, de fato, estivesse disposto a executá-lo. Internamente, o movimento é tratado como um simples “ajuste de rota”. No papel, o roteiro parece tranquilo e o acordo segue valendo. Mas a realidade do Santa Cruz ensina o torcedor a desconfiar de promessas antes de ver resultados concretos. A troca de investidores pode até representar uma solução administrativa, mas também expõe uma fragilidade evidente no processo. No Arruda, estabilidade ainda não é uma certeza. É apenas uma promessa em construção.