Beto Lago: "E era assim um clássico decisivo..."
Sport e Náutico se enfrentam pela 21ª vez em uma final
Era assim...
Domingo começa mais uma decisão do Pernambucano, com o primeiro duelo entre Sport e Náutico na Ilha do Retiro. Será a 21° decisão dos dois times, com retrospecto favorável ao Leão (13x7). Os números contam parte da história. A outra parte mora na memória de quem viveu e sentiu o que já foi uma final por aqui. Ontem, quando comecei a escrever esta coluna, me peguei lembrando de como a cidade respirava um clássico, uma final de campeonato. Não importava quem do Trio de Ferro estava em campo. O Recife mudava de ritmo. Bares, restaurantes, esquinas, colégios, repartições: tudo girava em torno do jogo. Sem rede social, sem “breaking news” no celular. Era o rádio quem pulsava. As resenhas da tarde e noite eram quase sagradas. O torcedor esperava a escalação como quem aguarda resultado de exame. Os jornais do dia seguinte vinham com manchetes fortes, fotos abertas, análises profundas. Repórter acompanhava treino, conversava com jogador, dirigente, massagista, roupeiro. Havia informação e havia convivência. O futebol era mais próximo, mais humano. No domingo, então, era um ritual. Jogo às 16h, mas o encontro começava no almoço. A “tribo” reunida, a bandeira no carro, o radinho na mão. Alvirrubro dava carona ao rubro-negro. Todo mundo junto, chegando no estádio. Provocação? Claro. Gozação? Sempre. Violência? Não. O clássico era guerra simbólica, não campo de batalha real.