Renato Santos encerra ciclo de dez anos à frente dos esportes olímpicos e amadores do Sport
Títulos nacionais, formação de talentos e reestruturação marcam passagem do profissional na Ilha do Retiro
Enquanto o futebol concentra as atenções na Ilha do Retiro, uma transformação ganhou corpo ao longo da última década nos bastidores do Sport. À frente dos esportes olímpicos e amadores, Renato Santos conclui um ciclo de dez anos marcado por reestruturação e fortalecimento das modalidades fora das quatro linhas.
Quando assumiu o departamento, o cenário refletia dificuldades enfrentadas pelo esporte olímpico no Brasil. O desafio, além de competir, era estruturar.
Reorganização e planejamento
A primeira frente de atuação foi estrutural. Organizar processos, implantar planejamento de médio e longo prazo e estabelecer critérios técnicos e administrativos passaram a nortear o departamento. A aposta na continuidade substituiu decisões pontuais e improvisos frequentes.
Os efeitos apareceram dentro das competições. O pavilhão rubro-negro voltou a ocupar espaço de destaque no cenário nacional, com conquistas como a Taça Brasil de Futsal e o Campeonato Brasileiro de Hóquei, além de medalhas em modalidades como basquete, handebol, vôlei, natação, tênis de mesa, remo e atletismo.
“Mais do que troféus, esses títulos representam o resgate do respeito institucional do Sport fora do futebol”, avalia Renato.
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A retomada do futsal leonino
Entre os marcos da gestão, a reativação do futsal adulto, após mais de cinco anos de inatividade, tornou-se símbolo da reconstrução. A decisão foi estratégica, mirando não apenas resultados imediatos, mas também a reconexão com uma das bases formadoras mais tradicionais do clube.
Com apoio de Vanildo Neto e Nathan Figueiredo, o projeto integrou categorias de base e alto rendimento, devolvendo competitividade às quadras. O Sport voltou a ser referência nacional na modalidade, tanto na formação quanto na disputa adulta.
“O futsal sempre foi uma porta de entrada para talentos. É uma modalidade historicamente relevante para o clube. Reerguê-lo significava reconectar o Sport a uma de suas bases formadoras mais tradicionais”, afirma Renato.
Infraestrutura
Outro eixo importante foi a requalificação da estrutura física. Os ginásios Marcelino Lopes, Jorge Maia e Milton Bivar passaram por reformas, garantindo melhores condições de treino, segurança e preservação do patrimônio histórico do clube.
Em um cenário em que o esporte amador frequentemente depende da obstinação de poucos, manter estrutura competitiva por uma década já é um feito significativo. Fazê-lo com crescimento técnico e reconhecimento nacional é ainda mais raro.
“Os espaços reformados não representam apenas paredes pintadas ou quadras revitalizadas. Representam condições de treino, segurança para atletas e profissionais e dignidade para quem veste a camisa rubro-negra longe dos estádios lotados”, explica Renato.
Formação que beneficiou o futebol do Sport
O legado também se reflete na formação de atletas. Jogadores oriundos do futsal e dos processos estruturados pelo departamento alcançaram o futebol profissional. O caso de Pedro Lima, que se tornou a maior venda da história do clube, veio de investimento na base.
A permanência e o desenvolvimento de talentos como Zé Lucas e os primeiros passos de Dedé reforçam que o ciclo formador segue ativo.
Saída
A saída de Renato Santos ocorre em meio a uma transição administrativa no Sport. Houve convite para permanência, mas a decisão de encerrar o ciclo partiu da convicção de que a missão estava cumprida dentro do modelo de gestão defendido ao longo da década.
“Encerrar um ciclo não é ruptura. É coerência”, afirma.
“Funções passam. Gestões terminam. Porém, as estruturas permanecem e é nelas que se mede o verdadeiro legado. O Sport segue. Forte. Vivo. Em todas as suas modalidades”, finaliza Renato Santos.