Beto Lago: Neymar em busca da 'inteligência emocional'
A reclamação constante, a irritação visível diante de adversários e arbitragem, e a dificuldade em lidar com frustrações acabam minando sua influência no coletivo
Neymar e a Seleção
Há talentos que encantam. Outros que decidem. E existem aqueles raros que parecem destinados a dominar uma era. Neymar sempre esteve nesse último grupo, mas, por razões que vão além da técnica, jamais conseguiu ocupar plenamente esse trono. Dono de um repertório técnico que o coloca entre os jogadores mais geniais revelados no futebol mundial, Neymar construiu uma carreira de brilho incontestável, mas de liderança questionável. Não por falta de futebol, mas por algo que o jogo moderno cobra cada vez mais: inteligência emocional. Dentro de campo, seu comportamento muitas vezes entra em conflito com sua própria grandeza. A reclamação constante, a irritação visível diante de adversários e arbitragem, e a dificuldade em lidar com frustrações acabam minando sua influência no coletivo. Em vez de ser seguido pela imposição natural de quem decide, Neymar, em diversos momentos, parece buscar respaldo na proximidade, os tais dos “parças”, e não no respeito que se impõe pelo exemplo. Esse traço ajuda a explicar por que, apesar de todo o talento, ele nunca tenha sido, de forma indiscutível, o melhor jogador do mundo em uma temporada. Faltou mais do que números ou títulos: faltou a capacidade de controlar o ambiente ao seu redor nos momentos decisivos.
Forma e foco
Em forma e com foco, Neymar não é apenas convocável. Briga para ser titular em qualquer cenário. O talento nunca saiu de cena. O que se julga é a capacidade de ser determinante no mais alto nível. E é justamente aí que mora o dilema. Mais do talento, ele precisa provar impacto. Que segue sendo o jogador capaz de desequilibrar, resolver e, sobretudo, justificar sua presença como peça indispensável na Seleção Brasileira. No fim, a equação é simples, mas exigente: não basta ser mais um. É preciso voltar a ser decisivo, como sempre foi Neymar.
Mudança que decidiu
O Sport segue com 100% de aproveitamento na Copa do Nordeste. Para construir o 3x0 sobre o Retrô, na Ilha, o técnico Márcio Goiano precisou mexer no ataque após uma primeira etapa travada muito bem pelo rival. Iury Castilho abriu o placar (em lance faltoso sobre Jefferson Paulino), Barletta e Habraão deram forma ao domínio. Vitória justa de quem buscou o jogo desde o início. A Fênix se limitou a se defender. O Leão lidera com autoridade. Já o Retrô, mesmo derrotado, segue vivo no torneio.