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Beto Lago: 'O Brasil deixou de formar meias'

A base precisa voltar a formar jogadores que ocupem o centro do campo

Por Beto Lago

Matheus Cunha, jogador da Seleção Brasileira

Cadê os meias?
O Brasil deixou de formar meias. Não é mais opinião, é diagnóstico. Pode soar exagerado para alguns, mas basta observar a atual Seleção Brasileira: falta cérebro, sobra improviso. O jogo brasileiro perdeu o seu articulador, aquele que pensa antes da bola chegar, que organiza o caos e dita o ritmo. E essa ausência não nasce no profissional. Ela é construída lá atrás, na base. O problema é estrutural. O futebol brasileiro decidiu encurtar caminhos e padronizar talentos. Todo garoto habilidoso virou ponta. Recebe aberto, corre em linha reta e resolve no um contra um. Forma-se o driblador, mas abandona-se o pensador. O camisa 10, que antes era lapidado com paciência, hoje é deslocado antes mesmo de entender o jogo por dentro. Falta estímulo, método e, principalmente, convicção. Os clubes terceirizaram a formação do meia e ele simplesmente deixou de existir. É preciso assumir essa responsabilidade. E mais do que isso: corrigir a rota. A base precisa voltar a formar jogadores que ocupem o centro do campo, que convivam com a pressão, que aprendam a decidir em espaços curtos. Um caminho possível é simples e ignorado: estruturar desde cedo equipes em um 4-3-3 que tenha um volante, dois meias de verdade e pontas abertos. Não como variação, mas como princípio. Sem isso, o Brasil seguirá produzindo extremos em série e órfão de ideias no meio. Porque talento ainda nasce. O que deixou de existir foi o ambiente para transformá-lo em cérebro de time.

Cheio de desfalques contra os croatas
Enquanto isso, a Seleção Brasileira encara mais um teste hoje, diante da Croácia. E Carlo Ancelotti segue convivendo com um cenário incômodo: problemas demais e soluções de menos. Se já não bastassem as baixas antes da viagem, a lista de desfalques cresceu após o duelo contra a França. Sem conseguir repetir escalação, o treinador vê a formação de uma base virar quase utopia, em um contraste evidente com rivais que já chegam mais prontos e ajustados para a Copa do Mundo.

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Prestígio ou inconveniência?
Amanhã, o duelo contra o Vila Nova, pela Série B, será às 19h, mas o Leão vem tendo uma sequência de jogos às 21h30. Eles castigam o torcedor, principalmente quem está no estádio, mas atendem a uma lógica clara de mercado. As emissoras que detêm os direitos priorizam audiência, e o Sport, hoje, entrega isso. Não por acaso, virou escolha frequente na Copa do Nordeste e será também no Brasileiro.

Com ou sem público?
Para a estreia do Santa Cruz na Série C, a diretoria trabalha com a expectativa de levar o jogo ao Arruda. A dúvida que permanece e que diz muito sobre o momento do clube é outra: será com público ou mais uma vez distante do seu maior patrimônio, que é seu torcedor? Em meio as incertezas (com a Arena de Pernambuco reformando o gramado) e decisões que se arrastam, o torcedor, como de costume, segue sem respostas claras. E, pior, sem saber se poderá estar presente justamente quando o time mais precisa.