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Beto Lago: 'Um sorteio para saber quem está pronto para a Copa do Mundo'

O sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 acontece nesta sexta-feira (05), às 14h

Por Beto Lago

Escalação da Seleção Brasileira contra a Tunísia

Sorteio da Copa
O dia do sorteio da Copa é sempre teve clima de celebração, mas o de 2026 expõe algo maior: a incapacidade de lidar com o desconhecido. Em vez de festa, há uma névoa de dúvidas. Um Mundial inflado, com 48 seleções, 12 grupos e 72 jogos só na primeira fase, disputado em três países diferentes, cria um cenário em que ninguém sabe exatamente o peso real de cair neste ou naquele grupo. O formato ampliado dilui incertezas, embaralha favoritismo e transforma a simples definição de chaves em um teste de maturidade. Para o Brasil, essa dúvida pesa ainda mais. Ser cabeça de chave já não garante tranquilidade. Nossa Seleção encarar equipes dos potes 2, 3 e 4. E algumas armadilhas podem surgir: pegar Croácia, Senegal e Itália (que joga a repescagem). A verdade é dura: qualquer grupo pode virar um problema para a Seleção de Carlo Ancelotti, não por falta de talento, mas por falta de clareza — tática, emocional e de elenco. O Brasil se acostumou a acreditar que improviso resolve, mas Copa do Mundo não é laboratório. É execução. Que exige modelo assimilado, repetição, padrão. Hoje, o Brasil tem individualidades capazes de desequilibrar jogos, mas não tem estrutura para controlá-los. Em um torneio com margem menor para erro, o improviso vira convite para o desastre. Em 2026, a Copa não vai perdoar projetos imaturos. E o da Seleção ainda não parece adulto.

Quatro eliminações para europeus
A Seleção tem uma estatística incômoda, com quatro eliminações seguidas para europeus: França (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018) e Croácia (2022). Antes, foram duas décadas sem cair diante de um europeu. O Brasil perdeu a aura de inevitabilidade. Já não impõe respeito. Falta convicção tática e estabilidade emocional. O maior risco para 2026 não é enfrentar uma potência logo na fase de grupos. É encarar um chaveamento simples e mesmo assim sofrer porque não sabe quem é dentro de campo.

A velha dependência
A velha dependência por Neymar virou tema nacional. A cada gol dele renasce o coro pelo seu nome na lista de Ancelotti. Mas essa ansiedade revela muito mais sobre o estado emocional do País do que sobre o estágio do próprio Neymar. O Brasil precisa decidir se quer uma equipe estruturada sem Neymar ou esperar pela volta do brilhantismo do craque santista. O atacante tem seis meses para provar que pode ser a peça-chave. E o Brasil tem seis meses para provar que consegue existir mesmo sem ele. Por enquanto, nenhum dos dois deu essa resposta.

Fim dos esportes olímpicos no Náutico?
A proposta apresentada pelo Executivo do Náutico no Conselho, segunda, caiu como uma bomba: extinguir o departamento de esportes olímpicos, reduzindo-o a apêndice da diretoria comercial. Um gesto que não é apenas administrativo. É simbólico do pior jeito possível. O clube nasceu do remo. Antes de títulos no futebol, o Náutico já tinha atleta convocado para a Seleção Brasileira na modalidade. Ignorar isso não é só erro estratégico: é desrespeito, como afirmou o conselheiro Paulo Monteiro em carta contundente: “Além de incoerente com a história, fere o estatuto do clube.” E com toda a razão!