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Beto Lago: 'O Arruda e o peso do concreto'

O impasse para a liberação total ou redução dos níveis de risco é, em grande parte, técnico-documental

Por Beto Lago

Estádio do Arruda, casa do Santa Cruz

O peso do concreto
A situação do Arruda voltou ao centro das atenções após a Nota Técnica da Defesa Civil do Recife (SEDEC) e a resposta da Comissão Patrimonial do Santa Cruz. Bom, vamos aos fatos. Para esclarecer a torcida coral e o público em geral, é preciso distinguir o que é pendência documental do que é risco estrutural efetivo. De acordo com o documento da SEDEC, o estádio permanece com uma classificação de Risco Alto (R3) em sua estrutura geral. Este nível indica a necessidade de intervenções importantes, mas descarta, no momento, o risco de um colapso global. O termo "Risco Muito Alto" (R4), que causou alarme, está restrito a um ponto específico: o trecho entre os portões 5 e 6, que já se encontra interditado. A Patrimonial ressalta que o R4 naquele setor não se deve a uma falha na base da estrutura, mas ao risco de queda de reboco e materiais, problema que o clube afirma estar tratando com obras pontuais. Na vistoria, a Defesa Civil identificou que, embora o clube tenha iniciado reparos (como no acesso das ambulâncias), as exigências feitas em 2024 ainda não foram totalmente cumpridas em todos os setores. O impasse para a liberação total ou redução dos níveis de risco é, em grande parte, técnico-documental. A Defesa Civil condiciona qualquer reavaliação à entrega de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) mais detalhada e de um parecer estrutural completo que ateste a capacidade de carga de todo o estádio, e não apenas de áreas isoladas. O clube reforça que trabalha para entregar as comprovações técnicas necessárias, defendendo que a segurança dos torcedores é a prioridade, mas que a interpretação de um "risco de colapso iminente" em todo o estádio não condiz com os laudos atuais.

Amparo legal
A normalização do risco virou rotina e é alarmante. O Arruda esteve liberado até o fim de 2025 mesmo classificado com o R3 (Risco Alto), amparado por ART assinada e aceita pelos órgãos competentes. Agora, a sinalização do clube é repetir o mesmo caminho. O problema do Arruda não começa na sua estrutura, mas como o clube administra suas crises, seus problemas.

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Cenário de deterioração
O que foi colocado na nota técnica da Defesa Civil já deveria se suficiente para mobilizar o clube com urgência e transparência. Não há risco de colapso iminente? Não. Mas há, sim, um cenário de deterioração relevante que exige ação coordenada e não medidas pontuais que mais parecem apagar incêndios. O Risco Muito Alto (R4), restrito ao trecho entre os portões 5 e 6, não pode ser tratado como argumento de defesa institucional.

Desviar do todo
O erro está aí: usar o detalhe para desviar do todo. O relatório aponta que intervenções anteriores não foram plenamente atendidas em todo o complexo. Ou seja, não se trata de ponto crítico. Trata-se de padrão. O torcedor coral, que já convive com tantas incertezas, merece mais do que explicações. Mais clareza, planejamento e execução. No fim, o Arruda hoje é um retrato fiel do clube: não está em colapso, mas está longe de estar sob controle.