Beto Lago: 'Santa Cruz se prepara para a estreia na Série C, mas vive problemas internos'
Santa Cruz continua sendo refém de problemas que já deveriam estar superados
O tempo não espera
O Santa Cruz inicia mais uma caminhada na Série C. E não é exagero colocá-lo entre os protagonistas. Não apenas pela lembrança do título já conquistado, mas pelo peso de uma camisa que impõe respeito – onde divide a prateleira com Paysandu e Guarani. Some-se a isso uma reformulação robusta: 15 contratações e a tentativa clara de elevar o nível técnico sob o comando de Claudinei Oliveira. No papel, o cenário seduz. Na prática, preocupa. Porque o Santa Cruz continua sendo refém de problemas que já deveriam estar superados. A folha salarial estourou antes mesmo de a bola rolar. E a pergunta que ninguém responde com clareza é simples e assustadora: há fôlego financeiro para sustentar isso até o fim da competição? No futebol brasileiro, especialmente na Série C, dinheiro não é detalhe. É sobrevivência. Sem ele, elenco “encorpa” em abril e “derrete” em julho. E aí entra o ponto mais nebuloso: a SAF. O discurso oficial segue sendo o de normalidade, planejamento, controle. Mas a realidade não acompanha a retórica. Falta transparência. Falta direção. Falta, sobretudo, verdade. Quem está conduzindo esse processo? Há entraves internos? Os investidores existem de fato no dia a dia ou apenas no PowerPoint? O torcedor coral já cansou de promessas. Ele quer sinais concretos. Como se não bastasse, o clube ainda luta contra o próprio patrimônio. A situação do Arruda é simbólica. Jogar fora de casa, longe de sua gente, é começar a competição em desvantagem. O Santa Cruz precisa do Arruda pulsando, pressionando, empurrando. Precisa transformar cada jogo em um ambiente hostil para o adversário. Sem isso, perde uma de suas maiores armas. E o tempo não espera.
Curta e traiçoeira
A Série C é curta, traiçoeira e pouco tolerante ao erro: são 19 rodadas e apenas oito vagas na próxima fase. Não há margem para improviso, desorganização ou discurso vazio. O Santa Cruz até pode ser candidato dentro de campo, mas, fora dele, ainda joga contra dúvidas que podem custar caro. Se não resolver o que está fora das quatro linhas, corre o risco de transformar um elenco promissor em mais uma frustração anunciada.
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Quatro caminhos, um mesmo sonho
O final de semana também marca o pontapé inicial da Série D. E o nosso Estado chega com quatro clubes: Retrô, Decisão, Maguary e Central. A tradicional Patativa, que joga neste ano a Série A2 do Estadual, carrega a bagagem de quem conhece bem o torneio, com 13 participações ao longo da história. A Fênix tem a credencial do título de 2024. Maguary e Decisão vivem o sabor da estreia na competição.
Grupos e primeiros desafios
Central e Maguary integram o Grupo A8, ao lado de adversários tradicionais do Nordeste como ABC, América/RN, Laguna/RN e Sousa/PB. Já Retrô e Decisão aparecem no Grupo A9, enfrentando Serra Branca/PB, Treze, Lagarto/SE e Sergipe. Central e Retrô começam longe de casa, encarando Laguna e Treze, respectivamente. O Maguary estreia em casa contra o ABC e o Decisão recebe o Lagarto.