Beto Lago: 'Torcedor do Santa Cruz vive em constante estado de alerta'
O velho Santa Cruz dividido entre urgência e expectativa, entre apagar incêndios e vender um futuro melhor
Velhos problemas
O noticiário do Santa Cruz mantém o torcedor em estado de alerta, mas, agora, com um raro ponto de respiro no meio do caos. De um lado, a realidade dura: salários atrasados voltam à pauta, escancarando um problema crônico que insiste em sobreviver a cada temporada. Do outro, a promessa da SAF “nos próximos dias”, mais uma vez colocada como horizonte de solução. É o velho Santa dividido entre urgência e expectativa, entre apagar incêndios e vender um futuro melhor. Mas há um elemento novo nessa equação e talvez seja o único que, de fato, dialogue com o campo: o mercado. As contratações para a Série C, ao menos neste primeiro olhar, agradam. Há uma percepção clara de mais ousadia, de tentativa de qualificar o elenco com nomes que chegam para competir, não para compor. Algo que, convenhamos, faltou em muitas das últimas gestões do futebol coral. O torcedor, acostumado a pacotes de reforços que pouco mudavam o nível da equipe, agora enxerga, ao menos no papel, um elenco mais interessante. E isso, num cenário de incerteza, já é meio caminho para recuperar a confiança, ainda que parcialmente. O problema é que o futebol não vive de boas intenções. Salário atrasado continua sendo um veneno silencioso dentro do vestiário. Pode minar exatamente aquilo que começa a se construir: competitividade e comprometimento. Não existe elenco qualificado que sustente desempenho em ambiente instável por muito tempo. Parte dos valores foi pago e outra será pago antes da estreia. E o relógio corre contra o Santa. A Série C começa em abril, o prazo da janela se aproxima do fim e o time sequer fez um amistoso desde a eliminação para o Sousa na Copa do Brasil. Ou seja: há reforços, mas ainda não há time.
Hora das cobranças
Confirmada a chegada do novo investidor na SAF podemos ter a virada de chave institucional. Mas, até lá, o que existe é o presente e ele cobra. Cobra organização, responsabilidade e coerência. Se conseguir alinhar o mínimo fora de campo com essa ousadia no mercado, pode transformar promessa em competitividade. Caso contrário, corre o risco de repetir o enredo conhecido: boas ideias que se perdem na velha desordem.
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Retrô estreia com vitória
Mesmo em um gramado pesado, o Retrô mostrou personalidade e estreia com vitória na Copa do Nordeste, fora de casa, diante do Imperatriz. A equipe soube segurar o resultado, mesmo não tendo feito um grande jogo. O destaque ficou para Fernandinho. De volta ao time, marcou o gol e impôs sua experiência no meio-campo, sendo o ponto de equilíbrio da equipe. O Retrô dá sinais de que pode trilhar um caminho mais sólido na competição.
Roteiro igual na Ilha do Retiro
Ainda com marcas do time de Roger Silva, o Sport vencendo o Jacuipense na estreia no Nordestão. Herança de um trabalho mal conduzido, que exigirá dedicação total do novo treinador. O resultado não pode maquiar os diversos e graves problemas do Leão.