Beto Lago: "No Santa Cruz, o tempo de vida de Marcelo Cabo encurta a cada jogo"
O Santa Cruz volta a campo na próxima quarta-feira (21), onde enfrenta o Retrô, na Arena Pernambuco
Tempo de vida
No futebol brasileiro, o que sustenta o projeto de um treinador de futebol? A vida útil dele, em sua grande maioria, não é medida em meses de contrato, mas na capacidade de converter suor em esperança. O que vemos hoje, no Santa Cruz, infelizmente, é um processo de desidratação técnica. O grande problema do técnico Marcelo Cabo não tem sido apenas a ausência de vitórias, mas a ausência de perspectivas. Quando a equipe não apresenta um bom futebol, ou seja, falta organização tática, repertório ofensivo e solidez defensiva, o treinador começa a consumir seu capital político. No Santa Cruz, com a torcida sendo seu maior patrimônio e o termômetro mais rigoroso, o tempo de vida de um técnico encurta a cada jogo em que o time parece "arrastado" em campo. O time de Cabo padece de um mal silencioso: a falta de identidade. Quando o torcedor olha para o gramado e não enxerga um padrão ou uma jogada ensaiada, ele sente que o tempo de vida do projeto está chegando ao fim. O tal bom futebol é o oxigênio de qualquer trabalho de longo prazo. Sem ele, o técnico passa a viver de aparelhos e, no futebol, esses aparelhos são resultados magros e acidentais que apenas adiam o inevitável. Marcelo Cabo é um profissional experiente, conhece os atalhos do campo, mas está preso em um labirinto tático onde suas ideias não encontram eco nas pernas dos atletas. Para o Santa Cruz, que vive um calendário de sobrevivência, cada jogo sem evolução é um desperdício de futuro. O tempo de vida de um técnico acaba no exato momento em que o silêncio da diretoria se torna mais ruidoso que o grito da torcida.
Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão
Prazo de validade
Um treinador "morre" no cargo quando seu discurso não condiz com o que o torcedor vê no gramado. Se Marcelo Cabo aponta evolução, mas o time segue estático, a credibilidade, que é o oxigênio do técnico, acaba. Quando os jogadores param de responder aos estímulos táticos, fica claro que esse prazo de validade expirou. No futebol moderno, o técnico não é demitido apenas por perder, mas por não convencer que pode ganhar amanhã.
Reconhecimento das carências
Marcelo Cabo sabe que seu tempo no Santa Cruz pode ser medido por uma ampulheta. Mas, até o momento, a areia impiedosa desce rápido. Para prolongar seu tempo de vida, Cabo precisa fazer essa equipe coral jogar futebol. E, principalmente, parar de promessas de uma “evolução futura” pelo reconhecimento dos erros e das carências atuais. Isso irá gerar uma conexão de honestidade com o torcedor.
Gestão de elenco e de energia
A goleada sobre o Sport elevou a confiança e abriu boas perspectivas para o Náutico na sequência do Estadual. Mas vejo como acertada a leitura de Hélio dos Anjos em optar por poupar alguns jogadores nesta quinta-feira, diante do Jaguar. A decisão vai além do resultado imediato: trata-se de gestão de elenco e de energia. Com mais um clássico no domingo – contra o Santa Cruz, na Arena de Pernambuco –, o descanso torna-se estratégico, não um luxo. Em um calendário curto e intenso, ganhar hoje também passa por saber quando desacelerar.