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Chegou a hora da reação do Náutico

Por Beto Lago

Jean Carlos e Vinícius em treinamento no CT do Náutico

Hora da reação
O duelo contra o Botafogo/SP, hoje, nos Aflitos, pode recolocar o Náutico em um novo caminho dentro da Série B. Uma vitória, combinada a outros bons resultados nesta rodada, aproxima o Timbu do G6 da Série B. Porém, um tropeço, mesmo um empate ou, no pior cenário, uma derrota, traz de volta o fantasma do Z4 do Brasileiro, apagado por alguns instantes após a vitória sobre o Athletic. Pelo que vimos naquele jogo, acredito que o time alvirrubro chega como favorito para este duelo diante do tricolor paulista. O grupo ganhou moral internamente depois da virada sobre os mineiros. E com gols do contestado Derek e do garoto Luís Cláudio, a vitória ganhou um ingrediente ainda mais especial. É evidente que a entrevista de Guilherme dos Anjos, após o jogo, foi um balde de água fria na animação da torcida. Mas os dias passaram e o torcedor precisa entender que diretoria, treinador e jogadores passam. Todos, um dia, deixam o clube. Quem fica, no bom e no ruim, na vitória e na derrota, é o torcedor. Por isso, esqueça por pouco mais de 90 minutos toda a raiva, irritação e preocupação que você recebe ao chegar aos Aflitos. Sua obrigação será incentivar e apoiar durante todo o jogo. O Náutico precisa dessa vitória. E ela virá muito por conta do seu grito.

Gastando o futuro para pagar o presente
Os números divulgados por Rodrigo Kehrle acendem uma luz vermelha no Náutico. Para conseguir pagar uma folha, o clube antecipou o contrato do patrocinador master referente a 2027. Uma operação de cerca de R$ 2,2 milhões brutos, que teria colocado aproximadamente R$ 1,7 milhão no caixa. O problema não é simplesmente antecipar uma receita. O futebol faz isso. O problema é quando a antecipação vira necessidade para sobreviver. O Náutico já consumiu cerca de R$ 4,6 milhões brutos de receitas previstas para 2027. Ou seja, o clube está usando dinheiro de amanhã para pagar as contas de hoje.

De onde virá o dinheiro de 2027?
A situação fica ainda mais preocupante diante da projeção de um orçamento próximo de R$ 26 milhões para a próxima temporada. E a pergunta inevitável é: de onde virá o dinheiro para pagar as contas de amanhã? Há ainda o custo financeiro. Dos R$ 2,2 milhões antecipados, cerca de R$ 500 mil não chegaram ao clube. É o preço de transformar receita futura em dinheiro imediato. Sem falar que o dinheiro da Arena de Pernambuco, que poderia salvar o ano, não deve chegar neste ano.

Risco financeiro e esportivo
O risco não é apenas financeiro. É esportivo. Mesmo que o clube fique na Série B irá enfrentar uma temporada 2027 com menos receitas e, ao mesmo tempo, com parte delas já consumida. O cenário ficaria pior com um rebaixamento. O Náutico precisa explicar com transparência ao seu torcedor o tamanho dessa antecipação e apresentar o planejamento. Porque a questão deixou de ser apenas quanto o clube vai arrecadar. A pergunta agora é mais dura: quanto do futuro ainda resta para vender?