Um Náutico pressionado diante do Ceará
Pressão máxima
O Náutico chega à 23ª rodada da Série B mergulhado em pressão. A aproximação do Z4 é consequência direta de uma sequência preocupante: 12 jogos e apenas uma vitória. O cenário não ajuda. O combo de problemas na Rosa e Silva é pesado, com dificuldades financeiras que já interferem no dia a dia do elenco e aumentam a tensão em torno do clube. Mas não dá para colocar tudo na conta da crise financeira. A formação do elenco também merece uma cobrança dura. O trabalho foi ruim. Um ou dois jogadores podem ser considerados reforços de verdade nesta janela. Sem falar nos erros nas primeiras. Muitos sequer deveriam ter desembarcado no Recife para vestir a camisa alvirrubra. É aí que a responsabilidade de Hélio e Guilherme dos Anjos aparece com mais força. O elenco não caiu do céu. Foi montado pela dupla, com o aval da presidência. Quem participa da montagem também precisa assumir a parte que lhe cabe. Ao torcedor que estiver nos Aflitos, resta entender o tamanho da partida contra o Ceará. São 90 minutos (e um pouco mais) que valem muito mais do que apenas três pontos. É um jogo de seis, de 12, de 20 pontos, contra um adversário tradicional do Nordeste que também atravessa dificuldades na competição. Hoje, não há espaço para discussão sobre bom ou mau futebol. É preciso superar as limitações, competir até o último minuto e vencer. O Náutico precisa de resposta dentro de campo. E precisa dela imediatamente.
Mantidos ou demitidos?
O que acontecerá no Náutico caso seja derrotado pelo Ceará? Muitos apostam que Hélio e Guilherme dos Anjos não serão substituídos. Porém, uma corrente de alvirrubros notáveis já considera a saída da dupla fundamental para mudar o ambiente do clube, ainda mais pelo péssimo momento desta Série B. Certo mesmo é que, em caso de derrota, a pressão sobre o presidente Bruno Becker será enorme.
Rivalidade em segundo plano
Em um campeonato como a Série B, até os rivais estaduais acabam se ajudando. A vitória do Sport sobre o Londrina segurou o time paranaense, que poderia encostar no Náutico na luta contra o Z4. Amanhã, o Leão enfrenta o Avaí, que abre a zona de rebaixamento e tem quatro pontos de diferença para o Timbu. E aí, alvirrubro: vai torcer pelo rival rubro-negro?
A conta chega
O passivo do Náutico cresce em ritmo preocupante. E quem deixa o clube parece não pensar duas vezes antes de buscar a Justiça para cobrar o que entende ter direito. São novas ações, novas dívidas e uma conta que não para de aumentar. O problema é que o clube ainda precisa administrar as obrigações do passado (na RJ), enquanto tenta sobreviver às dificuldades do presente e não se resolve o dinheiro da Arena de Pernambuco. Se não houver controle, planejamento e responsabilidade, a conta vai ficar cada vez mais pesada. E, em algum momento, pode explodir no colo de quem estiver comandando o Náutico.