Beto Lago: "Título em aberto: quem errar menos nos Aflitos levanta a taça"
O segundo jogo da final acontece no próximo domingo (08), às 18h, no Estádio dos Aflitos
Em aberto
Um Clássico dos Clássicos com roteiro de filme com muita emoção. Na Ilha do Retiro, Sport e Náutico empataram em 3x3 e deixaram o título em aberto. O Náutico veio com a cara do seu treinador, fiel à estrutura que os jogadores conhecem de olhos fechados. Já o Sport, apostou na surpresa, mexeu demais. Mudança por convicção ou por ansiedade? A primeira resposta veio dentro de campo e foi constrangedora para o Leão. O Timbu engoliu o rival no primeiro tempo. Intensidade, ocupação de espaço, transições rápidas. Abriu o placar com Paulo Sérgio, de pênalti, mas pecou naquilo que clássico não perdoa: eficiência. No último lance da etapa inicial, em um cochilo defensivo, Yuri Castilho empatou. Um castigo pedagógico. Na volta do intervalo, pouca mexida e muita conversa. Ajustes tímidos para problemas evidentes. Quando o Sport ensaiava crescer, falha grotesca da defesa: Ramon não afasta, Benevenuto marca contra. Mas o Náutico também não se ajuda. Recua, fragmenta o jogo, mexe para tentar proteger o que ainda não conquistou. E aí novamente Yuri Castilho, aos 19, para empatar. O clássico vira trocação. Na reta final, Yago Felipe aproveita rebote de Muriel e vira o placar. A Ilha explode. Era o golpe psicológico que parecia definitivo. Parecia. Porque o Sport, que já tinha mostrado fragilidade emocional, não sabe sustentar a vantagem. No último lance, Wanderson empata. De novo no apagar das luzes. De novo com sabor de castigo. O 3x3 escancara virtudes e limitações dos dois lados. O Náutico mostrou organização e volume, mas foi irresponsável nas conclusões. O Sport exibiu poder de reação, mas convive com uma defesa que transforma qualquer jogo em drama. O título segue em aberto. E a sensação é clara: quem errar menos nos Aflitos levanta a taça. Porque talento existe. O que está em falta é equilíbrio.
Sem violência nas ruas
Mesmo com o desejo quase declarado de alguns que apostavam no caos e torciam por manchetes sangrentas espalhadas pela cidade, o que se viu foi o oposto: raros registros de confronto e uma rotina de normalidade nas ruas. As forças de segurança fizeram sua parte. Planejamento, presença ostensiva e prevenção surtiram efeito. Quem alimentava a narrativa da barbárie perdeu argumento e, sobretudo, credibilidade.
A faixa de capitão
O zagueiro Ramon era o capitão até a semifinal. Na coletiva da FPF, quem apareceu com a responsabilidade foi Yago Felipe. No jogo, a braçadeira mudou de dono outra vez e foi parar no braço de Zé Roberto. Essa ciranda não é detalhe, é sintoma. Capitão não é figurante, é liderança, referência, voz do vestiário no gramado. Quando a faixa vira objeto itinerante, a mensagem que passa é de improviso e falta de hierarquia clara.
A hora da mudança
É fato que o tempo é curto, quase cruel, para qualquer nova comissão técnica. Mas no caso do Santa Cruz não há espaço para discurso paciente. Quinta-feira é decisão. Contra o Sousa, pela Copa do Brasil, o mínimo exigido é vitória e, mais do que isso, sinais claros de mudança. Vencer é o ponto de partida para uma mudança tão esperada e desejada pelo seu torcedor.