Beto Lago: "Neste jogo de empurra dos estádios, ninguém pediu desculpas ao torcedor!"
A falta de estádios levou cinco clubes a mandarem seus jogos na Arena Pernambucano
Omissões
Não dá para tratar como acidente de percurso. O caos em torno dos locais de jogos é resultado direto de decisões erradas, omissões antigas e empurra-empurra institucional. E aqui não há inocentes: clubes, FPF e Arena de Pernambuco precisam assumir suas parcelas de culpa. Todos contribuíram para esse roteiro constrangedor. O que mais impressiona é o nível dos erros. Falhas primárias, de organização básica, que causam espanto. Desde a fase pré-campeonato, o alerta era claro: não deveria ser permitido uma equipe disputar a elite sem ter um estádio liberado pela Federação, minimamente apto para jogos e público. O problema foi empurrado com a barriga. Maguary e Decisão são exemplos dessa negligência. Chegaram à segunda fase convivendo com indefinições de mando e estrutura. Já o Santa Cruz é um caso simbólico e doloroso. O Arruda não chegou a esse estado por acaso. É fruto de anos de abandono administrativo e da incapacidade de dirigentes e investidores da SAF de tratar o estádio como ativo estratégico. Esse conjunto de irresponsabilidades empurrou jogos em série para a Arena de Pernambuco. Resultado: sobrecarregaram um equipamento que não foi concebido para ser solução permanente de um campeonato inteiro e intenso. A Arena é multiuso, precisa de eventos para fechar a conta, realidade que se repete em várias arenas do País. Mas errou ao aceitar que cinco clubes fossem mandantes. Nos últimos dias, tivemos um tiroteio de notas oficiais, comunicados e versões conflitantes, cada um tentando salvar a própria imagem. E no meio desse jogo de empurra faltou pedir desculpas ao torcedor. O maior prejudicado é quem paga ingresso, quem acompanha o campeonato, quem tenta levar a família ao estádio e se depara com improviso, indefinição e desorganização.
A casa mais do que abandonada
As imagens do Arruda circularam pela imprensa brasileira e são mais que deprimentes: são um retrato escancarado do abandono. As arquibancadas são a casa do torcedor coral, o espaço de pertencimento, memória e identidade. Normalizar esse cenário é empurrar o clube coral para um abismo ainda maior. A situação exige ação imediata, firme e transparente da atual gestão e dos investidores, sem desculpas, sem adiamentos.
No Arruda vazio veio a classificação
O Arruda vazio foi a metáfora perfeita de um jogo pobre e sem alma entre Santa Cruz e Decisão. Um cenário que escancarou as limitações técnicas do Tricolor, que avançou pelo que construiu no jogo de ida. Na semifinal contra o Náutico, apontado por muitos como o favorito ao título, o Santa Cruz precisará ser mais organizado e, sobretudo, mais competitivo. Sem isso, vai cair com facilidade diante do Alvirrubro.
Love comanda o Retrô
O Retrô precisou ir além do script para seguir vivo no Estadual. Diante de um Maguary que dominou o primeiro tempo, desperdiçou pênalti e ainda saiu na frente, a Fênix teve maturidade para mudar a história após o intervalo. Com Vagner Love como referência e liderança, veio a virada que carimba mais uma semifinal, a quinta seguida. Agora, o desafio sobe de patamar: tem o Sport pelo caminho de outra decisão.