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Sport e Náutico construíram uma história de força, mas não conseguem transmiti-la em campo

Por Beto Lago

Jogadores de Sport e Náutico na Série B

Sem identidade
Sport e Náutico terminaram a última rodada com a mesma imagem: a de times distantes da identidade que construiu as suas histórias. O Leão perdeu e foi dominado em Maceió. O Timbu, de maneira dolorosa, deixou escapar uma vitória nos acréscimos, sofrendo dois gols quando parecia ter o jogo controlado. Não são apenas pontos perdidos. São sinais de equipes que não demonstram a personalidade que seus torcedores aprenderam a esperar. Houve um tempo em que Ilha do Retiro e Aflitos eram extensão da camisa. O adversário entrava em campo sabendo que enfrentaria pressão, cobrança e, principalmente, um time que não se entregava. Fora do Recife, a história não era diferente. Sport e Náutico podiam até perder, mas não carregavam para o campo a sensação de que o adversário era maior. A história desses clubes no passado foi construída pela imposição. O presente, pela hesitação. Em uma Série B equilibrada, sem quem domine claramente a competição, seria natural imaginar os dois brigando na parte de cima. Mas o que se vê é o contrário: um Sport que alimenta a esperança a cada rodada, sem sustentá-la, e um Náutico que precisa olhar para baixo enquanto tenta evitar que a temporada termine de forma ainda mais frustrante. Restam 10 jogos. Há tempo para reagir. O que não existe é tempo para continuar procurando uma identidade que já esteve tão presente na história dos dois clubes. Porque o torcedor não cobra apenas vitórias. Cobra que a camisa que aprendeu a amar volte a ser respeitada em campo. E talvez seja o maior desafio de Sport e Náutico: não apenas recuperar pontos, mas trazer de volta a força e a identidade que um dia fizeram seus adversários temerem jogar contra eles.

Três chapas na eleição da FPF
Três chapas disputam a eleição da FPF: Evandro Carvalho busca mais uma reeleição, enquanto André Cortez de Albuquerque e Markus Vinícius Lebre de Oliveira representam a oposição. O prazo curto para apresentação e discussão das propostas empobrece o debate. Uma eleição de Federação não pode ser apenas uma disputa de grupos. O futebol pernambucano precisa conhecer os projetos.

Muito além do voto
Quem vencer terá desafios que vão muito além da cadeira de presidente: calendário, Estadual, categorias de base, arbitragem, futebol feminino, marketing e receitas. Basicamente, um projeto capaz de recuperar a força do futebol pernambucano. Trocar o presidente é uma possibilidade. Mudar a forma de pensar a Federação é a questão principal.

Por uma nova transformação
Uma nova gestão pode representar uma oportunidade para a FPF se reinventar. E até para Evandro Carvalho, com 15 anos no comando, um novo momento pode significar o afastamento da rotina de críticas que acompanha sua gestão há tantos anos. Mais do que mudar o nome na cadeira da presidência, o futebol pernambucano precisa mudar a maneira de pensar a sua Federação. A eleição deveria ser o ponto de partida para essa transformação.