Sport e Náutico precisam acelerar nesta reta final
A hora da verdade
Faltam 12 rodadas para o fim da Série B. E, a esta altura, a matemática começa a ser mais incômoda do que a própria tabela. A média dos últimos cinco anos aponta 65 pontos para o segundo colocado, Criciúma, e 61 para o sexto, CRB. Hoje, o time catarinense tem 47 pontos e projeta 67. A equipe alagoana tem 42 e projeta 61. Sport e Náutico precisam acelerar. Com 38 pontos, o Sport chegaria a aproximadamente 56 mantendo seu atual desempenho. Para alcançar, pelo menos, os 61 pontos projetados para o G-6, precisaria conquistar 23 dos 36 pontos restantes. É uma campanha de quase dois pontos por jogo. O Náutico, com 37 pontos, projeta 54. Para chegar aos 61, precisaria de 24 pontos em 12 partidas. Ou seja: não há mais espaço para desperdício. A boa notícia é que o G-6 ainda está próximo. O ruim é que a margem para erros praticamente desapareceu. A cada rodada, os pernambucanos não precisam apenas vencer: precisam ganhar terreno sobre quem está à frente. E existe uma segunda preocupação. Na parte de baixo, a média recente para escapar do rebaixamento está em torno de 43 pontos. Sport e Náutico estão acima dessa linha – com seis equipes entre a dupla e o Z4 –, mas ainda não suficientemente distantes para transformar a permanência em garantia. A Série B entrou na fase em que discurso, retrospecto e promessa valem pouco. Valem os pontos. Para Sport e Náutico, são 12 oportunidades de transformar uma temporada que pode terminar bem ou confirmar mais uma frustração.
O fracasso que não demite
Na iniciativa privada, a lógica costuma ser objetiva: se um CEO ou diretor não consegue transformar suas decisões, investimentos e estratégias em resultados, chega uma hora em que ele deixa o cargo. É a consequência natural da responsabilidade pela gestão. No futebol, deveria ser igual. Mas, em muitos clubes, acontece justamente o contrário.
Inversão da lógica de gestão
O mais curioso e preocupante é que as mesmas pessoas que acumulam fracassos continuam tomando decisões, contratando jogadores, escolhendo treinadores e dando ordens dentro do departamento de futebol. Mudam-se os nomes no campo, mas permanecem os responsáveis pelas escolhas que levaram o clube ao fracasso. É uma inversão completa da lógica de gestão.
Sobrevivendo aos próprios fracassos
Se um treinador perde, é demitido. Se um jogador não rende, é afastado ou negociado. Mas quem contratou e montou o planejamento permanece intocável. No futebol, existe a figura rara do profissional que consegue sobreviver aos próprios fracassos. E enquanto não houver responsabilização por quem toma as decisões, trocar e traz treinador, contratar e demite jogadores será apenas uma tentativa de corrigir as consequências sem enfrentar a causa do problema. Resultado também precisa ter autor. E, principalmente, precisa ter responsável.