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A fragilidade dos nossos Conselhos Deliberativos

Por Beto Lago

Matheus Souto Maior, presidente do Sport

Ausentes
O que faz uma pessoa aceitar ser conselheiro de um clube, assume a responsabilidade de participar das decisões e, justamente nas reuniões mais importantes, simplesmente não aparece? A pergunta precisa ser feita diante do que aconteceu na terça-feira, no Sport. Dos 150 conselheiros, apenas 16 estiveram presentes. Dez por cento do Conselho decidindo – ou tentando decidir – os caminhos de um clube centenário. É um número que não pode ser tratado como algo normal. Muito menos como um detalhe de uma reunião. E essa situação não é exclusiva do Sport. No Náutico e no Santa Cruz também seguem a mesma linha.
E o problema fica ainda maior quando se observa a pauta. Questões importantes deixaram de ser votadas, entre elas o planejamento para 2026, mais uma vez adiado. O vice-presidente do Conselho, Cesar Caúla, demonstrou preocupação e teve que agir: a votação para esta pauta está sendo feita via grupo de WhatsApp. Teve início ontem e termina hoje, às 18h. Na reunião, o presidente Matheus Souto Maior esteve presente. Durante uma hora e meia, apresentou números do Executivo, abriu espaço para esclarecimentos e colocou informações importantes sobre a mesa. Mas havia pouquíssimas pessoas para ouvir, questionar, debater e exercer o papel para o qual foram escolhidas. É nesses momentos que começo a questionar o verdadeiro poder de um Conselho Deliberativo. De que adianta ter 150 conselheiros se, quando o clube precisa deles, apenas 16 aparecem? Conselho não pode ser título, carteira, prestígio ou passaporte para os microfones. Ser conselheiro é assumir responsabilidade.

Conselheiros de rede social
O Sport não precisa de conselheiros de rede social. Precisa de conselheiros presentes. Gente disposta a participar das reuniões, estudar os números, questionar a diretoria, apresentar alternativas e assumir a responsabilidade pelo voto. Cobrar depois é fácil; difícil é estar lá quando a decisão precisa ser tomada. O modelo, da forma como está funcionando, demonstra sinais claros de esgotamento. E não é um problema exclusivo do Sport. É uma distorção que vemos no futebol brasileiro: conselhos enormes, baixa participação e qualidade técnica, e conselheiros aparecendo apenas quando interessa.

Mecanismo pouco eficaz
É preciso mudar as regras. Falta não pode ser encarada como algo normal. Deve haver critérios objetivos, controle de presença e punições efetivas, inclusive a perda do mandato depois de determinado número de ausências injustificadas. No Sport, existe a possibilidade da abertura de um procedimento disciplinar. Mas é um mecanismo pouco eficaz.

Conselho exige responsabilidade
Quem não tem disponibilidade para participar não deveria ocupar uma cadeira destinada a quem precisa decidir o futuro do clube. Abra mão dos seus privilégios e deixe quem deseja ajudar o clube. Porque democracia exige participação. Conselho exige responsabilidade. E clube de futebol não pode ficar refém da ausência de quem, voluntariamente, decidiu assumir o compromisso de ajudar a administrá-lo.